Pesquisadora da Univates observa a dispersão territorial da pandemia da covid-19 na região dos vales do Taquari e Rio Pardo

Trabalho buscou uma abordagem qualitativa, com o uso de dados secundários coletados em órgãos oficiais, no período de 20 de março a 17 de julho de 2020


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Uma pesquisa desenvolvida pela docente da Univates Rosmari Terezinha Cazarotto abordou a região dos Vales por meio da observação da dispersão territorial da pandemia da covid-19. O artigo resulta de uma parceria desenvolvida no âmbito do Observatório do Desenvolvimento Regional/ObservaDR, uma rede interinstitucional de pesquisadores ligada à Universidade de Santa Cruz do Sul, que, diante dos primeiros casos registrados da doença infecciosa causada pelo novo coronavírus, decidiu criar o projeto de extensão ObservaDR/covid-19.

O artigo apresenta parte dos resultados obtidos no projeto. De abordagem qualitativa, a elaboração do artigo foi feita com o uso de dados secundários coletados em órgãos oficiais, no período de 20 de março a 17 de julho de 2020, relativos à dispersão da pandemia da covid-19 na região. De forma complementar, também foram utilizadas para análise reportagens do jornal Gazeta do Sul, de Santa Cruz do Sul, e Informativo do Vale, A Hora e Rádio Independente, de Lajeado.

Conforme a professora Rosmari Terezinha Cazarotto, que é uma das autoras da pesquisa, buscaram-se identificar possíveis relações dessa dinâmica com a estrutura e o funcionamento da rede urbana regional, com a estrutura econômica e a divisão territorial do trabalho regional. Ademais, foram consideradas as interações espaciais intrarregionais comandadas pelos principais centros econômicos e de serviços da região dos Vales, as cidades médias de Lajeado e de Santa Cruz do Sul.

Rosmari Terezinha Cazarotto (Foto: Divulgação)

Conforme a professora, o trabalho também objetivou levantar dados sobre a realidade para fornecer informações úteis ao planejamento de ações e à tomada de decisões para a prevenção e o combate à pandemia ocasionada pela expansão do coronavírus, bem como oferecer informações científicas para o conjunto da sociedade. “Apesar de apresentarem semelhança quanto aos piores índices de distanciamento social, dentre as regiões do estado do RS, no período analisado, a pesquisa revelou particularidades associadas ao usos do território”, completa, se referindo às duas cidades.

O padrão espacial da dispersão territorial da covid-19 mostrou-se diferente entre as sub-regiões do Vale do Rio Pardo e do Vale do Taquari. Essa diferença está fortemente associada à divisão territorial do trabalho regional e à configuração espacial e à dinâmica dos fluxos da rede urbana regional existente em cada uma das sub-regiões.

Outra variável que contribuiu significativamente para difusão territorial da Covid-19 foi a estrutura regionalizada de produção dessa cadeia produtiva, envolvendo fluxos não apenas de insumos e produtos, mas também de pessoas, que residem em uma cidade e se deslocam para trabalhar em outra, contribuindo assim para que o vírus se difundisse mais intensamente pelas cidades dessa região. Dentre elas destaca-se Lajeado, devido à maior concentração de grandes empresas e de população, e que permaneceu por algumas semanas, entre meados de maio e junho de 2020, como o município com o maior número de casos registrados da Covid-19 no estado.

No Vale do Rio Pardo, a dispersão da covid 19 foi distinta, tendo em vista que a economia regional está fortemente estruturada na cadeia produtiva do tabaco, cuja dinâmica de produção envolve uma divisão territorial do trabalho mais simples, com grande parte das estruturas produtivas concentradas em Santa Cruz do Sul e, secundariamente, em Venâncio Aires, resultando em menor intensidade nos fluxos urbanos entre as cidades dessa sub-região.

Observou-se que as particularidades e os ativos territoriais precisam ser considerados. Os resultados analisados não são definitivos, tendo em vista que a pandemia avançou e ainda avança na região dos Vales e em suas cidades médias. Variados são e serão os seus reflexos e impactos nos diferentes territórios.

O trabalho foi desenvolvido pelos pesquisadores Rosmari Terezinha Cazarotto, Rogerio Leandro Lima da Silveira, Carolina Rezende Faccin e Helena de Moura Vogt. AI/VM


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