Pessoas que não conseguem sair de casa depois de ficarem isoladas podem estar com a Síndrome da Cabana

Ouça o comentário da jornalista, psicóloga e psicanalista clínica Dirce Becker Delwing.


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Foto: pausadramatica.com.br/

No início da pandemia, com a determinação do distanciamento social, muitas pessoas estavam inquietas por terem que ficar em casa sem ter muito contato com a vida do lado de fora do portão. Mas, como o ser humano tem uma capacidade incrível de se adaptar, pouco a pouco, novos hábitos passaram a integrar a rotina doméstica. Teve gente que se acostumou, teve gente que beirou à loucura, teve gente que relutou o tempo todo.

Nas últimas semanas, há o entendimento de que a pandemia está mais controlada. Contudo, o distanciamento social segue sendo a forma mais indicada de prevenção à Covid-19, assim como é fundamental o uso da máscara em ambientes coletivos. Neste momento, com a flexibilização das normas, muitas atividades voltam a ser presenciais e o povo começa a ir para a rua. Dentro deste cenário, há quem relate receio de retomar seus afazeres fora de casa. Há pessoas que, inclusive, não têm conseguido retomar seus ofícios porque sentem medo, angústia e insegurança, podendo estar acometidas pela Síndrome da Cabana, que consiste na dificuldade de sair às ruas após ficar isolado.


ouça a participação

 


 

O termo “Síndrome da Cabana” teve seus primeiros relatos em 1900, no norte dos Estados Unidos. Foi criado para explicar um problema que acometia trabalhadores que passavam longos períodos em cabanas, esperando o inverno passar, e, depois, tinham dificuldade para retomar o contato social. É importante referir que a Síndrome da Cabana não é um distúrbio psicológico reconhecido. É uma forma de denominar o que se passa com as pessoas que não conseguem mais sair de casa depois de terem ficado isoladas por mais tempo. Aquele que está se sentindo assim pode fazer pequenos movimentos, com calma.

Quem sabe, primeiro, você vai até o portão, depois, caminhe até a calçada, em momento seguinte, dê uma volta na quadra, e, assim por diante. No entanto, se, ainda assim, você não consegue reagir, se você sente que isso está afetando a sua vida de forma negativa, se você está deixando de cumprir suas atividades, se você não tem conseguido fazer movimentos de autoajuda, busque apoio profissional. Há psicólogos e psiquiatras que atendem online. Por outro lado, é importante pensar que a pandemia também trouxe a possibilidade de ficar mais tempo com a família, abrindo lugar na agenda para nós mesmos, entre várias outras vantagens, e isso pode potencializar o desejo de estar em casa. Quem sabe, a gente não descobriu alegrias que antes nem enxergava devido à correria do dia a dia.

Fontes de pesquisa:

Síndrome da cabana – cuida.com.br 

Síndrome da cabana gq.globo.com

 

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