“Poderiam ter bom senso”, diz produtor que teve plantação de milho cortada pela CCR ViaSul em Lajeado

O espaço será utilizado para obras na via. Concessionária diz que foi dado um aviso prévio sobre a ação, mas morador não confirma a informação


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Milho seria transformado em silagem para o tratamento dos animais criado na propriedade de Berghahn (Foto: Gabriela Hautrive)

Morando há 48 anos em uma propriedade às margens da BR-386, no Bairro Conventos em Lajeado, localidade popularmente conhecida como “Barra da Forquetinha”, Erny Berghahn, de 70 anos, foi surpreendido na manhã desta quinta-feira (25), quando funcionários da CCR ViaSul, empresa que administra a rodovia, acompanhados de agentes da Polícia Rodoviária Federal, chegaram ao local para cortar sua plantação de milho. O morador diz ter consciência de que a área não faz parte do seu terreno, mas por residir há muito tempo no local e ter feito um pedido antes de iniciar o plantio, ficou bastante chateado.


ouça a reportagem 

 


 

Produtor Erny Berghahn, de 70 anos (Foto: Gabriela Hautrive)

O fato ocorreu na altura do quilômetro 338 da rodovia, onde já iniciaram as obras de duplicação da BR, que segundo o morador será muito positiva para o tráfego de veículo na região, porém, a forma como executaram a ação lhe pegou de surpresa.

“Os funcionários que vieram aqui são mandados por alguém, mas quem mandou poderia ao menos ter bom senso, pois eu pedi para que deixassem uma parte do milho até de tarde ou noite para um trator vir e fazer a colheita, mas eles simplesmente avançaram dentro da lavoura, cortaram e derrubaram tudo no chão”, conta.

O produtor também relata que sempre manteve o espaço limpo e que possuía uma autorização para plantar enquanto o trecho não fosse ocupado, mas que a partir de agora não fará mais o uso e terá que arcar com as consequências da perda. “A gente estima que meu prejuízo é de aproximadamente R$ 2 mil pela quantidade de milho que foi cortado”, diz. O alimento seria transformado em silagem para o tratamento dos animais criado na propriedade de Berghahn. “As pessoas deveriam ter bom senso, porque se não tivermos, não vamos em lugar nenhum, cada vez mais as pessoas mandam outras fazerem atividades que não se justificam”, acrescenta.

A reportagem entrou em contato com a CCR ViaSul pedindo uma posição sobre o acontecimento. Em nota a concessionária respondeu que “o procedimento é uma obrigação contratual da concessão, para regularização da faixa de domínio, com desocupação de itens que invadem a faixa de domínio da união”. Além disso, informou que o morador foi notificado notificado com um prazo para remoção da ocupação do local. “Como a retirada não foi realizada, foi necessário seguir com o procedimento de remoção da ocupação que estava dentro da área de domínio público”, diz. A empresa também foi questionada sobre o tempo em que esse prazo teria sido dado, mas não deu resposta até o fechamento desta reportagem.

Confira relato do morador sobre o ocorrido na manhã desta quinta-feira (25)

Vídeo: Gabriela Hautrive

Texto: Gabriela Hautrive
reportagem@independente.com.br

13 Comentários

  1. Custava aguardar para o dia seguinte??? Já haviam máquinas ali naquela hora para abrir a rodovia???

    -o agricultor disse que não foi notificado
    -a concessionária diz que notificou o agricultor
    Imagino que num caso desses a notificação não tenha sido aos gritos da janela de um carro da concessionária.
    Deve existir um docto assinado com o ‘ciente’ do agricultor, que ocupa uma área que não é dele, é ciente disso e pediu autorização a concessionária antes de fazer o plantio.

    BASTA APRESENTAR O DOCTO!!!!!!

    • Mas infelizmente é isso mesmo, passam por cima, destroem tudo, e sempre ha uma justificativa.
      Não dão importância, não tem empatia.
      E olha isso, era alimento.
      Fizeram por maldade. Tem pessoas muito má nesse mundo. Mas Deus tudo vê e tudo sabe.

      • Boa noite! Isso que fizeram com este senhor foi pouco perto do que fizeram com os moradores próximo ao pedágio. Deixaram eles sem acesso às suas casas! Pra entrar nas propriedades tem que pagar o pedágio, voltar por uma estrada secundária e vir ate as moradias. Onde era entradas das propriedades hj tem um guardereio. Tem lugares que as crianças que vão pro colégio, tem que pular por cima do guardereio pra pode entrar no ônibus escolar. Estes responsável pela CCR, não tão nem aí. É uma falta de respeito com as pessoas. Coitado, nunca imaginou que poderia perder a plantação!

  2. faixa de dominio. simples assim. não pode usar. usufruiu a muito tempo sem pagar nada. ou seja, teve lucro em uma área que não é dele. e por fim se sentiu lesado. nao entendi mais nada

    • A faixa de domínio pode ser usada legalmente por meio de solicitação. Além de usar, o morador ainda mantinha a área limpa, poupando a empresa de manutenção. Se não comprovar a alegada notificação, a empresa deve indenizar por danos morais e materiais. Como os abusos da empresa mostram-se danosos a muitas pessoas, a promotoria pode ser demandada…

  3. É uma falta de respeito com as pessoas, pra eles não é nada não foi eles que tiveram o trabalho de fazer a terra plantar e cuidar, manter limpo , tem tanta capoeiras pra rodar vão achar o que fazer

  4. Falta humanidade para os administradores , o incrível é que nem a miséria da pandemia que estamos passando não consegue amolecer os corações das pessoas, por isso não consigo mais lidar com gente que exerce alguma função de comando ….minha indignação é por EU ser colono e sei quanto é sacrificado ter um pé de milho pronto para ser colhido….o mínimo que esta criatura responsável na ccr teria que fazer era se retratar e ir lá pagar o prejuízo para nosso colega COLONO

  5. Nunca deveriam ter permitido esta invasão. Agora se passa por vítima, após usar por muitos anos o espaço indevidamente.

  6. Ditadura,?isso era um trabalho essencial? faltou bom senso, Cada dia tenho mais vergonha de ser brasileiro, as cancelas dos pedágios eram para estarem abertas, não são essenciais.

  7. Total falta de empatia e inversão de valores, pelo visto a CCR não está nem aí para as pessoas. Fiquei chocada com essa noticia e com o comentário relatando sobre como a empresa lida com a comunidade local sem nenhum bom senso “invadindo” as entradas das casas, cobrando pedagio, impondo desvios e as crianças tendo q pular mureta da rodovia para acesso ao ônibus escolar. Absurdo!!! Muito triste!

  8. Ontem cortaram os milhos fora não dão valor amanhã outro dia eles vão pensar muito quando faltar pra eles pão na mesa. O que se joga fora hoje amanhã pode faltar. Muitos não dão valor aos colonos mas de onde vivemos, toda comida vem de agricultura .

  9. Olá!! Cadê o ministério público…. realmente quem trabalha está difícil. Ministério público só defende quem não trabalha. Esta na hora do povo acordar. Vamos pra rua. Pois eu votei em políticos que me representa e não votei em ministério público e judiciário.

  10. Não vou defender ninguém,mas área que não pertence a si ,sem autorização não se pode usar ,e o que acontece com as invasão de propriedade do estado ou união que após um período invadido de 5 anos ,os invasores querem o direito de terem casa ou terreno em troca de sair da área invadida ,se eu fosse o juiz jamais daria conversa pra esse tipo de ação e despejo e sem negociação, Lajeado temos o exemplo da borracharia boqueirão situada na frente da antiga vila dos papeleiro que tbm foram realocados e ganharam casas,na borracharia boqueirão era uma estrada de acesso ao posto de saúde da Montanha,como deixaram esse senhor invadir ali e ficar e fazer benfeitorias,numa área de terra que é do Estado,agora pra tirar nos contribuintes iremos pagar o custo de uma área de terra e com casa por ser uma invasão,então se e assim vamos todos nós achar com direito de invadir áreas que não são nossas e fazer benfeitorias pra se beneficiar ,a regra e clara não é seu sem autorização continua não sendo seu .

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