Pontes foram destruídas por detritos e não pela força das águas durante enchentes, afirma engenheiro

Segundo Bernardo Tutikian, se os rios estão limpos eles afetam apenas a cabeceira das estruturas, o que aponta a necessidade da dragagem


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Ponte do Rio Taquari foi preenchida por árvores durante a enchente de maio, mas a estrutura permaneceu (Foto: Nícolas Horn / Arquivo)

As pontes completamente destruídas no Vale do Taquari e em outras partes do estado foram levadas por conta de pedras e árvores, e não apenas pela força das águas durante as enchentes, segundo o engenheiro Bernardo Tutikian.

Em entrevista ao Panorama desta quinta-feira (20), ele explicou que se os rios estão limpos, eles afetam apenas as cabeceiras das estruturas. “Temos casos que a ponte ficou intacta e a cabeceira que se foi. Na grande maioria dos casos em que a ponte foi arrancada é a árvore que vem”, pontua.

Para evitar esse tipo de situação, Tutikian considera que os rios e as margens devem ser limpos por meio da dragagem. Ele opina que é necessário “aumentar a capacidade de transporte de água sem transbordar e tirar esse detrito, pra que esse detrito, quando transbordar o rio, não vá para as cidades”.

Bernardo Tutikian (Foto: Reprodução / Redes sociais)

Uma das possibilidades seria a prática da mineração, em que as empresas exploram os leitos, tiram os materiais e os comercializam. No entanto, Tutikian ressalta que antes deve ser avaliada a questão ambiental. “Ninguém quer impactar no ambiente, mas por outro

lado ninguém quer ficar à mercê da força da natureza assim tão fácil”, sinaliza.

O engenheiro também visitou cidades do Vale do Taquari e da Serra Gaúcha, para fazer a avaliação de algumas residências prejudicadas por deslizamentos e enxurradas. Para impedir que as pessoas retornem às casas, ele afirma que é necessário explicar bem os motivos, já que não é possível garantir que novos desastres climáticos acontecerão ou não.

“Nós temos que dar nossa opinião técnica e a decisão sempre é da pessoa”, diz Tutikian. Para auxiliar nesse processo, ele e a Agência Bigger desenvolveram um Guia para Inspeção de Edificações após inundações, que pode ser acessado neste link.

Texto: Eduarda Lima
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