Por falta de pagamento, empresa paralisa obras de muro para conter força da enchente em Arroio do Meio

Equipe da Coesul trabalhou por três meses no local, investiu mais de R$ 1 milhão e não recebeu recursos. Prefeitura diz que espera liberação de uma análise e verba do Governo Federal


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Empresa já concluiu 30% da obra do muro de gabião (Foto: Gabriela Hautrive)

Em julho de 2020, o Vale do Taquari foi atingido pela maior enchente dos últimos 64 anos. A força das águas do Rio Taquari destruiu casas, alagou ruas e casou muitos transtornos em diferentes municípios da região, entre eles, Arroio do Meio. Pensando em evitar que problemas deste tipo voltem a acontecer, a Prefeitura de Arroio do Meio resolveu construir um muro de gabião, às margens do rio, no Bairro Navegantes, para conter a força da água. A obra iniciou no dia 29 de janeiro deste ano, mas por falta de pagamento, a empresa Coesul, vencedora da licitação, retirou sua equipe e maquinário do local, paralisando a obra na sexta-feira, dia 7 de maio.

Conforme o gestor comercial da empresa, com sede em Porto Alegre, Heleno Woloszyn, a medida foi adotada por conta do não recebimento de recursos devido a questões burocráticos envolvendo a Prefeitura de Arroio do Meio e a Defesa Civil do Governo Federal. “A empresa executou os serviços durante três meses, concluindo 30% da obra, envolvendo os principais itens do que está no contrato, que são as instalações das estruturas dos gabiões e até o momento não recebemos nenhuma contrapartida financeira”, explica. Já foram investidos pela Coesul mais de R$ 1 milhão com materiais, operação de equipamentos e mão-de-obra. “O centro de custos desta obra encontra-se absolutamente deficitário, sendo insustentável para empresa manter suas equipes mobilizadas no local.”

Secretário da Fazenda e Planejamento de Arroio do Meio, Valdecir Crescêncio (Foto: Gabriela Hautrive)

Assim que a situação dos repasses financeiros for resolvida, o gestor afirma que as obras serão retomadas. “A empresa promete avaliar novamente com a administração as condições operacionais e climáticas para a retomada dos trabalhos”, reforça.

Conforme o secretário da Fazenda e Planejamento de Arroio do Meio, Valdecir Crescêncio, os valores não foram entregues para empresa por conta de uma análise solicitada pela Defesa Civil do Governo Federal. “Os técnicos pediram apontamentos da forma e do jeito que está sendo executada a obra do muro de gabiões e por consequência a restauração do talude do Rio Taquari.”

Segundo o secretário, já foram produzidas respostas e feitas as análises, mas por conta da realização de trabalho remoto dos técnicos da Defesa Civil nacional em Brasília, o processo ficou mais lento e é esperada uma definição ainda na tarde desta sexta-feira (14).

Estrutura é montada com pedras acumuladas em armações de aço, com oito metros de altura (Foto: Gabriela Hautrive)

Depois desta etapa, a prefeitura terá a autorização para realizar os pagamentos para Coesul. “Reitero que a empresa tem toda razão, pois investiu na obra e não teve retorno, mas já está tudo acordado e assim que haver a liberação, reorganizamos o calendário e recomeçamos a obra”, diz o secretário.

A obra foi licitada em R$ 4,5 milhões, com contrapartida de R$ 500 mil por parte da prefeitura. O muro de gabião está sendo montado com pedras acumuladas em armações de aço, com oito metros de altura, sendo a base de 1,5m, firmado dentro da água e 6,5 fora da água. O muro está localizado na Rua Campos Sales, no entroncamento com a Rua Maurício Cardoso, no Bairro Navegantes, em Arroio do Meio. A estrada no entorno receberá 232 metros de revestimento asfáltico para ajudar na impermeabilização.

O muro está localizado na Rua Campos Sales, no entroncamento com a Rua Maurício Cardoso, no Bairro Navegantes, em Arroio do Meio (Foto: Gabriela Hautrive)

Maior enchente dos últimos 64 anos

A maior enchente registrada no Vale do Taquari nos últimos 64 anos causou danos incalculáveis para algumas famílias. Além das perdas materiais, também existiam os valores sentimentais de ver a casa, herança de família, ser totalmente danificada pelas águas do Rio Taquari. A moradora do Bairro Navegantes, em Arroio do Meio, Avenilda Hennika, de 52 anos, viu parte de sua residência ser arrastada pela enchente.

Além disso, perdeu todos os móveis e itens pessoais, conseguindo salvar apenas algumas roupas sujas pelo barro. A enchente começou a afetar a região e gerar transtornos, com fechamento de ruas, na noite de uma terça-feira, dia 7 de julho de 2020. Por volta da 1h da quinta-feira, dia 9, o nível do Rio Taquari chegou a sua elevação máxima, marcando 27,39 metros no Porto de Estrela.

VÍDEO: Secretário da Fazenda e Planejamento de Arroio do Meio, Valdecir Crescêncio, explica como será a obra do muro de gabião

Texto: Gabriela Hautrive
reportagem@independente.com.br

 

 

 

 

 

 

 

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