Pré-candidato ao Governo do RS, Gabriel Souza diz que polarização nacional não pode ganhar subdivisão no Estado

Deputado expõe desejo de uma união de partidos com visão liberal-progressista para dar sequência à linha de governo inaugurada por Sartori e seguida por Leite


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Gabriel Souza em entrevista à Rádio Independente (Foto: Tiago Silva)

O pré-candidato do MDB ao governo gaúcho, deputado estadual Gabriel Souza, está em agenda no Vale do Taquari nesta quinta-feira (7). Ao meio-dia, ele teve um almoço com lideranças regionais do partido na região, e à noite, vai a Muçum para encontrar-se com a militância da parte alta do Vale. Souza foi oficializado como postulante do MDB em 27 de março, após desistência do outro concorrente interno, o deputado federal Alceu Moreira.

Em entrevista à Rádio Independente na tarde desta quinta-feira (7), o político de 38 anos disse que buscará uma união de partidos de centro, que têm uma visão liberal-progressista, para dar sequência à linha de governo inaugurada por José Ivo Sartori (2015-2018) e seguida por Eduardo Leite (2019-2022), com responsabilidade fiscal e reformas estruturantes para que o Estado pudesse recuperar a capacidade de investimento.

Souza disse que recebeu uma ligação da senadora Simone Tebet (MDB-MS), pré-candidata do partido à presidência. Na conversa, ela demonstrou interesse de que a união do centro político, almejada em nível federal, possa ser reproduzida no RS.

O deputado, que foi líder do governo Sartori e presidente da Assembleia Legislativa em 2021, diz que a união de partidos com agenda liberal-progressista tenta clivar a polarização que prejudica o debate público brasileiro. Souza observa que seria importante uma candidatura única no RS com a intenção de fazer um debate razoável, moderado, mas firme.

Conforme ele, é saudável não deixar que a polarização divisionista que se mostra no plano nacional avance no Estado, em uma subdivisão local. Para ele, “trazer essa polarização para o Estado será difícil de mostrar soluções e propostas para os gaúchos”. “Se nós pudermos definir uma unidade no centro a nível estadual, seria importante”, comenta.

O emedebista entende que é natural que o PSDB, que está à frente do Governo do RS atualmente com Ranolfo Vieira Jr, queira liderar uma chapa. Porém, ele lembra que o MDB já governou o Estado quatro vezes e foi o partido que iniciou a agenda base da recuperação fiscal nos últimos anos, com Sartori. Dessa forma, tem legitimidade para pleitear o Piratini.

Souza diz que a sua candidatura não é dependente de uma coligação. “Mas seria muito interessante uma candidatura única, concentrando eleitores e votos, com maior facilidade de chegar ao segundo turno e vencer”, indica, de modo que as conversas continuam.

Trabalho na Assembleia

O político, que é veterinário de formação, mestre em Direito e pós-graduado em gestão pública, foi o mais votado pelo MDB na última eleição. Ele está em seu segundo mandato na Assembleia Legislativa. Souza destaca que presidiu a Casa “no ano que nós viramos a chave do Estado”. Segundo ele, foi quando o RS conseguiu equilibrar as suas contas e recuperar o poder de investimento, após anos de penúria fiscal.

No auge da pandemia de coronavírus, Gabriel Souza pontua que articulou na Assembleia a liberação de R$ 90 milhões para os hospitais. Em 2021 também foi o ano que mais foram votados projetos e reformas necessárias para reestruturar as finanças do Estado.

Para o parlamentar, o seu trabalho de destaque com a base de sustentação dos governos Sartori e Leite deu condições para que o RS pudesse consolidar o reequilíbrio financeiro para “gerir e zelar pelo recurso de forma responsável”. “Não podemos ter irresponsabilidade na hora de gastar, e é o que aconteceu com o Estado durante muito tempo”, lamenta.

Vale do Taquari

Gabriel Souza vê a região com potenciais a serem melhores desenvolvidos, entre eles o turismo religioso, o Trem dos Vales, a Rota do Pão e do Vinho. Na sua visão, a região pode se tornar um dos cinco maiores polos turísticos do RS.

O deputado elogia a região por seu setor primário, e nota uma posição privilegiada no mapa do RS via BR-386. Ele aponta a Univates como fundamental para a pesquisa e o desenvolvimento local, e expõe a necessidade de investimentos em turismo e infraestrutura, bem como qualificar a mão de obra.

Críticas à chapa Lula-Alckmin

“Na política eu até brinco que é o seguinte: não dá para misturar camelo com girafa”, afirma, ao chamar de esdrúxula a união entre Lula, do PT, e o ex-tucano Geraldo Alckmin. “A ideia é tu fazer alianças para poder montar um governo que seja coerente”, ressalta.

“Pode ter seus erros e divergências eventuais, mas as alianças, a meu ver, devem ser montadas visando governar com condições pacíficas de entendimento para poder convergir nas propostas para acertar os passos do governo e cumprir as promessas de campanha.”

Texto: Tiago Silva
web@independente.com.br

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