Precisamos falar sobre a Argentina

Confira o comentário do promotor de Justiça Carlos Augusto Fiorioli no quadro "Direto ao Ponto".


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Promotor de Justiça Carlos Augusto Fiorioli (Foto: Arquivo / Grupo Independente)

A Argentina está doente; muito doente. A Argentina tem pouco mais de 44 milhões de habitantes; destes, quase 20 milhões na região da Capital Federal, Buenos Aires. Desde 9 de julho de 1816 é republica proclamada, porém reconhecida sua independência por Espanha somente em 1859. A do Brasil, referida por alguns como um golpe, foi em 1889.

Ocorre que essa semana já se fala pelo mundo a fora que a Argentina é, hoje, um dos países mais miseráveis, atrás tão somente da Venezuela, considerando a inflação e taxa de desemprego nos últimos anos. Não se trata de entrar na conversa de ser o atual governo de esquerda; são anos de governos argentinos em que se vê o país, cada vez mais, sangrando. Ocorre que nessa semana o governo da nação anunciou disposição de declarar serviços públicos, a telefonia celular, os serviços de internet e a televisão paga com o objetivo de garantir acesso destes serviços para toda população.


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Indubitavelmente, boas intenções escondem problemas mais graves; digo isso porque o assunto “Las Malvinas son Argentinas” retornou à pauta de discussão, hoje tão somente em nível de fala diplomática, eis que sob o ponto de vista bélico a Argentina, até 1982, talvez a maior potência na América Latina, hoje, por seguro, teria dificuldades de fazer frente ao Paraguai; praticamente não tem força aérea, nem marinha e talvez um exército minimamente armado. Mas, os maiores problemas são saúde, educação, segurança, mobilidade, pois o país não cresce faz dez anos; o produto interno bruto – PIB – hoje é menor que a dez anos atrás e os índices de pobreza são próximo a 45%; seis de cada dez crianças são pobres.

Pensamos que riqueza e pobreza são decorrentes de fatos e ações de homens, de governantes e seus governos; simples assim: há cubanos prósperos em Maimi e miseráveis em Havana e, repetindo, não se trata de esquerda ou de direita, pois era dolorido ver as duas Alemanhas, divididas por um muro da riqueza e pobreza. Pessoalmente, para quem conhece a Argentina desde Ushuaia até La Quiaca, praticamente todos os passos de travessia para o Chile, tudo em virtude de dezenas de viagens, especialmente de motocicleta, nos faz pensar como nós, notadamente gaúchos, que muito visitamos a Argentina, encontraremos seu povo e sua gente após reabrirem as fronteiras pós covid19.

Creio que será desastroso, pois o povo sem emprego e renda se banda para a criminalidade e o Estado, quando deixa de exercer a tarefa subsidiária de regular como as relações privadas se desenvolvem e garantir que os direitos de um não agridam o dos outros e, por boas ações maquiadas passa a pretender regular cada âmbito da vida dos indivíduos, as ações que conduzem ao caminho da derrocada está muito claro e garantido; ações acabam sendo focadas em restrições a liberdades individuais e violações a direitos como a propriedade privada.

Por fim, o nome Argentina vem de argenta, ou seja, o cobre. Argentina sempre foi um país rico, em divisas e cultura; hoje padece de ambos, pois os privilegiados protegem seus capitais fora do país e seus jovens emigram para outros países; logo a Argentina que por muitos anos foi um país receptor de imigrantes – recordar, por exemplo, o período da segunda guerra mundial. De tudo que falamos, esperamos que as ações de governo sejam verdadeiras ações de Estado e que a Argentina se recupere, eis que no âmbito sulista da América Latina, nossas relações são verdadeiramente importantes e preciosas.

1 comentário

  1. Boa tarde! Concordo em algumas colocações sobre a Argentina e lembro que foi o último presidente que é neoliberal Mauricio Macri e que o novo presidente Alberto Fernandes de centro um pouco à esquerda pelo que se vê tem boas intenções mas para podermos falar sobre Argentina devemos antes falar o Brasil que neste momento não é exemplo pra ninguém o mundo inteiro observa o Brasil com desconfiança basta ver a desvalorização recorde do Real frente as outras moedas inclusive o Peso Argentino então devemos pensar e pra concluir o nome Argentina vem de argento prata e naõ cobre como diz a matéria!

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