Prefeito de Encantado critica discrepâncias de obras em plano de concessão: “É inadmissível tanta desigualdade numa mesma região”

Prefeitos da região alta do Vale reclamam que estão sub-representados pela Amvat nas discussões sobre concessão de rodovias. Para Calvi, estão esquecendo da região alta sem justificativa técnica


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O prefeito de Encantado, Jonas Calvi, criticou a falta de atenção que a Associação dos Municípios do Vale do Taquari (Amvat) tem dispensado à região alta do Vale nas discussões sobre as obras constantes no projeto de concessão de rodovias e a localização das praças de pedágio em Encantado e Cruzeiro do Sul. Para ele, como a entidade representa a região, é preciso pensar enquanto Vale, em todos os municípios. “Que possamos sentar e avaliar se realmente esse plano de concessões contempla a nossa região”, pede.

Em entrevista ao programa Troca de Ideias desta quarta-feira (23), Calvi elenca uma série de situações que, na sua visão, estariam privilegiando a parte baixa da região, como Lajeado, Estrela, Arroio do Meio e Teutônia, em detrimento da parte alta, de Encantando para cima. Conforme ele, a partir desse sentimento de falta de representatividade, os municípios do chamado G17 começam a reavaliar as suas posições.

“Os prefeitos querem a concessão, mas estão olhando só para o seu investimento na parte baixa do Vale do Taquari”, expõe. Calvi cita que Arroio do Meio receberá R$ 201 milhões, e Encantado, que terá uma praça de pedágio, R$ 154 milhões. A Via Láctea, uma rodovia sem pedágio, receberá aporte de R$ 196 milhões. Lajeado terá R$ 120 milhões e Estrela, R$ 125. “Por que não colocar uma praça na Via Láctea, então?”, questiona, para quem o município de Encantado será penalizado enquanto Teutônia não, e receberá mais obras.

Sobre a insatisfação com a Amvat, o prefeito de Encantado afirma que “não é dividir o Vale do Taquari, mas em busca dos nossos interesses”. Ele argumenta que, se a Amvat não representa a parte alta como os gestores municipais almejam, eles cogitam “outros caminhos, outras possibilidades” para essa microrregião, “de forma simples, transparente”.

“Ninguém quer discutir, ninguém quer brigar”, aponta Calvi. “Não é nada contra os municípios da região baixa”, diz ele, ao apontar e reconhecer o protagonismo de Lajeado. “Mas nós também precisamos pensar em fazer com que nos desenvolvamos”, ressalta. “É uma coisa natural dentro de uma região maior que nós possamos ter essa microrregião, que está cada vez mais consolidada, para que possamos nos desenvolver”, explica.

Para o prefeito de Encantado, “a falta de atenção é algo que acontece há muitos anos, só que chegou num momento crucial”, quando discute-se um plano de obras e investimentos em meio à concessão de rodovias estaduais à iniciativa privada.

Calvi afirma que as diferenciações e a discrepância no plano de concessões são informações públicas. “É inadmissível tanta desigualdade numa mesma região”, afirma. “É muita desigualdade que está acontecendo. Esse é um momento crucial”, reafirma. Para ele, estão esquecendo da região alta sem justificativa técnica.

Texto: Tiago Silva
web@independente.com.br


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