Prefeitura de Estrela limita número de atendimentos no PA+

Secretaria de Saúde justifica medida pela queda na procura; Hospital Estrela registra aumento de 20% nos atendimentos após anúncio da medida


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Foto: Luís Fernando Wagner

A Prefeitura de Estrela, através da Secretaria Municipal de Saúde, decidiu diminuir o valor do repasse mensal ao PA+, unidade de saúde privada localizada no Centro da cidade, mas que mantém convênio com a administração para atendimentos pelo sistema público de saúde. Os atendimentos diários no PA+, que já chegaram a ser de 150 pacientes, sem limite estabelecido, passaram a ter uma cota diária de, no máximo, 90 fichas.

De acordo com o secretário de Saúde Celso Kaplan, a medida foi tomada com base na gestão orçamentária, em função do gradual decréscimo do número de atendimentos, o que vem se verificando nos últimos meses. “Nós temos um sistema de saúde em Estrela que é muito bom. São unidades móveis de saúde que vão até as comunidades do interior, cinco postos de saúde, que realizam em média 5 mil consultas por mês e o apoio da clínica privada PA+. Nós temos um limitador. São R$ 20 milhões do orçamento usados no sistema municipal de saúde e mais R$ 30 milhões repassados ao Hospital Estrela, para manutenção e funcionamento da instituição, uma vez que a gestão de saúde é plena no município. É um orçamento equilibrado e que também precisa de ajustes. Além disso, estamos em um ano complicado, com eleições e mudança na arrecadação do ICMS”, explica.

“Tivemos uma pandemia (covid-19), dengue, influenza, que elevaram em muito o número de atendimentos. Nesses momentos, o município teve que despender mais recursos da saúde. O que fizemos agora foi fixar uma cota de 90 consultas/dia. No mês de maio, por exemplo, tivemos um volume de 7.003 atendimentos e 6.186 consultas no PA+. Já em julho, esses números caíam para 4.607 atendimentos e 3.915 consultas. Não tem razão para continuar pagando um convênio nos mesmo valores, sendo que a demanda por consultas caiu quase pela metade. Mas caso a demanda avançar, poderemos ajustar esse limite. É uma situação momentânea, para vermos como fica melhor”, esclarece Kaplan.

Celso Kaplan, secretário de Saúde de Estrela (Foto: Luís Fernando Wagner)

O secretário de Saúde garante que nenhum estrelense ficará sem atendimento. “Quero dizer a todas as pessoas que não tiveram atendimento, que me procurem. O número do meu celular é público, por isso faço questão de divulgá-lo no ar. É o (51) 9 81483839. Também estou na Secretaria de Saúde para receber qualquer pessoa que tiver alguma dúvida. O que posso garantir é que ninguém vai ficar sem atendimento. O que fizemos aqui no município na área da saúde é gestão”, argumenta.

Uso desnecessário do sistema

Kaplan destaca outro fator que dificulta a gestão dos recursos da área da saúde: a procura desnecessária pelas unidades de urgência e emergência. “Nós temos que ter a consciência que o uso correto do Sistema Único de Saúde (SUS) começa pelos postos de saúde. Tivemos pessoas que usaram indevidamente o sistema e acumularam consultas pagas, em ocasiões em que não precisavam ter ido no PA+ ou no pronto socorro do hospital. Troca de receitas, pode ser feito no posto de saúde. Quem consulta particular, não precisa ir no PA+ para transcrever receitas. Isso tudo tem custos”, explica.

Medida já reflete no Hospital Estrela

De acordo com o gerente administrativo regional da Rede Divina Providência, gestora do Hospital Estrela, Johnnie Locatelli, a cota limite de atendimento no PA+ já reflete no aumento da procura de pacientes pelos serviços no Pronto Atendimento da casa de saúde.

Gerente administrativo da Rede Divina Providência, Johnnie Locatelli (Foto: Luís Fernando Wagner)

“Nos meses de junho e julho, tínhamos uma média uma média de 60 pacientes/dia na nossa emergência. Um dia após o anúncio dessas medidas, já notamos um impacto na ordem de 20% de aumento nas consultas, chegando a 75 pacientes/dia. Isso pode ser confirmado no aumento dos pacientes não urgentes, os chamados ‘ficha azul’, na ordem de 30%. São aqueles pacientes da atenção básica de saúde”, revela Locatelli.

O gestor comenta que diante do quadro, é preciso ajustar o fluxo de pacientes junto à Secretaria Municipal de Saúde. “Estamos conversando com a administração municipal. Já manifestamos nossa preocupação. Estamos trabalhando agora no ajuste do fluxo de saúde, para que os atendimentos ocorram nos locais corretos. O hospital é um serviço de urgência e emergência, para pacientes graves ou com quadro mais complexo. Precisamos unir esforços para que pacientes de menor gravidade, sejam atendidos nos demais serviços de saúde, para que o atendimento aos demais, não seja prejudicado”, conclui.

Texto: Luís Fernando Wagner
noticias@independente.com.br

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