Prefeitura de Lajeado pede ao Estado flexibilização para funcionamento do comércio não essencial

Documento solicita liberação para serviços do comércio, atacadista, varejista, higiene pessoal, academias, entre outros


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Nas regras de bandeira preta podem funcionar apenas áreas de saúde, alimentação e postos de combustíveis (Foto: Gabriela Hautrive)

Com classificação de bandeira preta no Rio Grande do Sul, e consequentemente na região de Lajeado, os municípios do Vale do Taquari estão operando apenas com serviços considerados essenciais pelo Governo do Estado: alimentação, saúde e postos de combustíveis, com medidas mais restritivas válidas até o dia 21 de março.

Devido a isso, a Prefeitura de Lajeado encaminhou nesta terça-feira (09), um pedido ao executivo estadual, solicitando uma flexibilização para funcionamento do comércio e serviços, como explica o prefeito Marcelo Caumo. “Entendemos que algumas flexibilizações, com pegue e leve e fazendo com que o comércio receba seus crediários, seriam medidas muito importantes para que o comércio consiga ir até o dia 21 com as portas fechadas”.


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O mesmo vale para setores de serviços, como salões de beleza, petshop e academias, que conforme o documento, poderiam atender com capacidade reduzida. “Atendimentos personalizados, com hora marcada e espaço de tempo para que aconteça a higienização dos espaços, não prejudicam na circulação de pessoas na cidade”, diz o prefeito. A solicitação feita ao Governo do Estado cita locais como comércios de veículos, atacadista e varejista, para que possam operar no sistema pegue e leve e drive-thru.

A segunda parte do documento, solicita mudanças para os serviços de higiene pessoal, que são cabeleireiros, barbeiros e estéticas; higiene e alojamento de animais domésticos (petshop); imobiliárias e similares; serviços de auditoria, consultoria, engenharia, arquitetura, publicidade e outros serviços de educação física (academias, centros de treinamento, estúdios e similares).

Para esses locais, o pedido da prefeitura é para que possam operar com número de restrito de pessoas, atendimento individualizado e com hora marcada. Também prevê ocupação máxima de uma pessoa a cada 10m² de área útil, limitada ao máximo de seis pessoas (profissionais e clientes) ao mesmo tempo quando área útil exceder os 60m².

Neste momento as regras da bandeira preta seguem em vigor até o dia 21 de março, com permissão apenas do funcionamento de algumas áreas do comércio. O pedido da prefeitura, caso acatado pelo governo, passa a flexibilizar as restrições na semana de 15 a 21 de março. Ainda não há uma previsão para que o estado envie uma resposta sobre a solicitação. “Seria uma transição na semana que vem e contanto que no dia 21 ou 22 possa voltar a cogestão e possam ser adotadas mais flexibilizações”, explica.

Prefeito de Lajeado, Marcelo Caumo (Foto: Gabriela Hautrive)

Conforme Marcelo Caumo, mesmo com o pedido de mudança, a população precisa ter consciência de que o momento é delicado, principalmente na ocupação de leitos de UTI no Hospital Bruno Born, por isso os cuidados para conter o avanço do vírus precisam seguir. “A situação é preocupante, os números ainda não estão caindo e isso faz com que todas as ações tendem a evitar o número de circulação de pessoas, mas aliado a saúde, nós temos que analisar a economia”, entende o chefe do executivo municipal.

Abertura do comércio de veículos, atacadista e varejista

A prefeitura entende que o setor do comércio “não essencial” é composto majoritariamente por micro e pequenas empresas, sendo responsável por grande parte dos empregos. “A flexibilização proposta não acarretará, observados os protocolos necessários, em aumento considerável do risco de transmissão do vírus mas, em contrapartida, possibilitará o funcionamento mínimo destes setores, em especial o recebimento do pagamento de crediário e afins”, diz o texto.

A justificativa segue informando que tal possibilidade, ainda mais em momentos como esse, se torna fundamental para a manutenção do capital de giro necessário para o cumprimento das obrigações com funcionários, fornecedores e com o fisco, sobrevivência das empresas e manutenção dos empregos. “Além disso, a modalidade de pegue e leve mostrou-se satisfatória para atender demandas urgentes de clientes, viabilizando também a manutenção de parte da receita. Dessa forma, entendemos que tal flexibilização trará bônus maior do que o ônus, gerando efeitos positivos em toda uma cadeia de negócios”, completa.

Prefeitura de Lajeado fez o pedido ao Governo do Estado e aguarda uma resposta (Foto: Gabriela Hautrive)

Serviços de higiene pessoal, engenharia, publicidade e educação física

Para os setores de serviços, compostos majoritariamente, por autônomos e/ou micro empreendedores individuais que dependem da prestação de serviço como fonte de geração de renda, a prefeitura relata que as restrições atuais inviabilizam sua produção e, consequentemente, a renda. Há, ainda, o agravante de que o setor, por limitações temporais e de mão de obra, acaba não podendo recuperar o serviço “não prestado” posteriormente.

“Ou seja, o que deixa-se de produzir hoje não pode ser, via de regra, recuperado posteriormente, afetando, consequentemente, a renda que esse profissional terá ao longo do período. Soma-se a isso o fato de que tais profissionais não possuem capital de giro para suportar longos períodos de inatividade, e as obrigações com fornecedores podem acarretar, mesmo em um curto espaço de tempo, a inviabilidade permanente do negócio, levando-os à falência e/ou endividamento”, explica.

Texto: Gabriela Hautrive
reportagem@independente.com.br

1 comentário

  1. Libera tudo logo . Quem bem fez na campanha eleitoral. Depois faz que nem o governador quando liberou as pra ir. Disse ele pra não procurar culpados .

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