Prefeitura de Lajeado prepara terreno para início das obras no parque de skate na próxima segunda-feira

Skatepark será na Avenida Décio Martins Costa, esquina com a Bento Rosa. Local terá investimento de R$ 1 milhão e uma pista para prática de quatro modalidades do esporte


1
Prefeitura realiza o limpeza e organização do terreno antes do início dos trabalhos (Foto: Gabriela Hautrive)

Através de uma demanda dos skatistas por um local adequado para prática do esporte, a Prefeitura de Lajeado iniciou o projeto e agora a construção do “Skatepark”. Um local que contará com uma pista e quatro modalidades para prática de skate em Lajeado. A prefeitura começou a atuar no espaço nesta semana, que está localizado na Avenida Décio Martins Costa (Rua do Valão), esquina com a rótula da Bento Rosa, para preparação do solo. A construção da pista, de forma efetiva, inicia na próxima segunda-feira, dia 1º de agosto, através da empresa vencedora da licitação, a SBM Construções Ltda.


OUÇA A REPORTAGEM 


Secretário de Planejamento e Urbanismo de Lajeado, Giancarlo Bervian (Foto: Gabriela Hautrive)

O investimento na obra será de R$ 1 milhão. Conforme o secretário de Planejamento e Urbanismo de Lajeado, Giancarlo Bervian, trata-se de um projeto ousado, mas que será prático e acessível para o uso da população. “A gente tem trabalhado muito, principalmente na secretaria, na busca de equipamentos urbanos que realmente venham ao encontro daquilo que a comunidade procura e necessita, e neste caso específico nós estamos falando de uma área de lazer associada a esporte e que movimentará jovens da nossa cidade e de outros locais”, relata.

Bervian conta que o cuidado com o projeto começou já na escolha da empresa dentro do processo licitatório: “Empresas que tenham capacitação para executarem esses projetos, não adianta nós pensarmos projetos bem resolvidos, pensarmos soluções sem que a gente condicione as empresas licitantes a cumprirem com o que estamos buscando”, pondera. Segundo o secretário, ficou como incumbência do município a drenagem do espaço e o nivelamento básico para que a empresa comece a construção.

A pista terá 900 m² e a área total do parque ficou em aproximadamente 4 mil m² em um local que contará também com melhorias em seu entorno em um projeto que será executado em duas etapas: “A pavimentação dos locais, a utilização da rua com a intenção de atender rum evento, food trucks, banheiros públicos, enfim, toda uma preocupação para que todo o espaço seja preparado para receber a comunidade e os praticantes do skate”, explica.

O Skatepark contempla pistas para quatro modalidades de skate: bowl, flow park, pump track e obstáculos de street. O projeto está todo detalhado com equipamentos de qualidade técnica, desenvolvidos pela empresa Spot Skateparks, e que poderá ser referência em termos de competições estaduais. Inicialmente a ideia era fazer uma área no Parque Ney Santos Arruda, com uma pista chamada ‘pump track’, mais focada no público infantil, porém, depois foi ampliada para atender um número maior de pessoas. Conforme o contrato, a pista deverá ficar pronta até o final de 2022.

História do esporte no Brasil

A modalidade skate, quando ainda era pouco conhecida no mundo, chegou no Rio de Janeiro trazida por filhos de americanos e brasileiros que viajavam para os Estados Unidos. Era chamada de “surfinho”. Conforme o Portal Guia do Estudante, o skate se popularizou quando apareceu na Revista Pop, uma das mais lidas entre os jovens. Surgiram empresas brasileiras especializadas. A primeira pista da América Latina foi inaugurada em Nova Iguaçu, em 1976.

Depois do auge de popularidade, a modalidade quase desapareceu. Quando a moda virou os patins e BMX, os fabricantes que não migraram sua produção começaram a falir. O investimento caiu e aumentou o preconceito com os skatistas, que eram considerados “jovens vagabundos”. Em 1988, Jânio Quadros (PTB), então prefeito de São Paulo, proibiu a prática de skate na cidade.

A prefeitura não queria skatistas nas ruas da Zona Sul, já que o esporte era visto como marginal. Sua sucessora na prefeitura, Luiza Erundina, revogou a medida. Durante a crise, os próprios skatistas conseguiram organizar campeonatos e construir pistas particulares. Foi aí que, em 1984, a indústria nacional do skate voltou a crescer. A TV aberta passou a dar atenção ao esporte, o que ajudou a disseminar a modalidade.

Com o surgimento de estrelas internacionais do skate como Tony Hawk e Tony Alva, o skate voltou a ser amado pela juventude, principalmente na modalidade street. Nesse período, o cantor Chorão e a banda Charlie Brown Jr. alcançaram enorme sucesso com músicas que falavam da cultura skate, entre outros temas. Chorão é considerado um dos grandes divulgadores do esporte no Brasil. Na virada do século, foi criada a Confederação Brasileira de Skate (CBSk). Segundo o Datafolha, naquela época já havia mais de 2,7 milhões de skatistas no país.

A partir daí, centenas de pistas foram construídas por todo o Brasil, facilitando o treino de milhares de atletas. Depois da consolidação do skate como esporte ao redor do mundo, o Comitê Olímpico Internacional (COI) anunciou que a modalidade faria parte dos Jogos Olímpicos, a partir de Tóquio 2020, evento que por conta da pandemia da covid-19, ocorreu em 2021.

Texto: Gabriela Hautrive
reportagem@independente.com.br

1 comentário

DEIXE UMA RESPOSTA

Digite seu comentário!
Por favor, coloque o seu nome aqui