Prejuízo está feito. E aí?

Está na hora de iniciar uma revolução da sociedade como um todo para restabelecer conscientemente o uso e manutenção da água


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Mais uma vez estamos tendo graves prejuízos com perdas pela seca, ou como queiram, deficiência hídrica. Já ouve no passado. É verdade, mas está cada vez mais constante e severa. As estimativas no Vale passam de R$ 400 milhões até agora. Dinheiro que não vai circular na região e vai faltar no comércio, serviços, lazer e bancos…

O que está perdido não se recupera mais. O que fazer? O de sempre: pedir socorro ao município, estado e país. Prorrogar dívidas, perdoar parcelas, não pagar sementes troca-troca, recursos para abrir poços artesianos, dinheiro para agricultura familiar, programas de irrigação, mais sementes, Proagro. E quem não tem seguro, caminhão-pipa e por aí vai as solicitações. É verdade, precisa ser feito o socorro. O que aconteceu com as secas anteriores? A mesma coisa. Políticas públicas reativas, aparecem no momento e logo adiante é esquecida. Precisamos de uma política proativa que seja feita visando diminuir os problemas para a próxima seca passando de um governo para outro. É trabalho de continuidade.

Fora isso, o que estamos fazendo na pratica? Quantos se preocupam em levantar a situação de cada propriedade, de quanto precisa e de onde e como conseguir água? Quanto precisa armazenar e onde? Às vezes em algumas até não será possível. Como resolver a longo prazo cada situação. As fontes da água, os poços rasos e banhados estão protegidos?
Os topos do morro estão cobertos de mata (nativa de preferência) APP para ajudar a infiltrar a água das chuvas? E as matas ciliares dos arroios e rios são mantidas e melhoradas? Isso é urgente começar a restabelecer onde é preciso e inicia já neste inverno. Período de plantio de árvores. Não podemos mais esperar.

Baixo nível do Rio Taquari em Colinas mostra marcas históricas da estiagem na região (Foto: Gabriela Hautrive)

Nossa região chove entre 1.400 e 1.800 mm em média por ano. Temos água. Mas não é bem distribuída e há momentos que teremos falta de água para plantas e criações. Pior muitas vezes para as famílias. Governo vai abrir poços artesianos. Alguns até sim, mas não para todos. E mais, os que estão instalados estão perdendo a vazão por falta de reposição da água da chuva, rios e banhados. E deve ser considerado ainda o aumento do uso acima da capacidade instalada. Vai chegar o momento da prioridade de água para a família e a custo cada vez maior. A criação será limitada a quantidade de água disponível. E porque alguns conseguem fazer e pelo menos ter menor prejuízos? Estão mais ligados e conscientes?

Está na hora de iniciar uma revolução da sociedade como um todo para restabelecer conscientemente o uso e manutenção da água. Incluo aqui a área urbana também. Muito se fala das bacias hidrográficas formadoras de nossos rios, e não é coisa nova. Sugestão: deem uma olhada no livro escrito pelo engenheiro agrônimo Leopoldo Feldens de 1989, “A Dimensão Ecológica da Pequena Propriedade no Rio Grande do Sul”, abrangendo parte de nosso Vale. E as propostas de trabalho Bacia Rio Taquari-Antas. Estrela o que vem fazendo com o corredor ecológico. UNIVATES com restauração da Mata Ciliar e trabalhos TCC de alunos que poderiam ser canalizados. Alguns TAC- Termo de Ajustamento de Conduta em alguns municípios. A EMATER com vários trabalhos de açudes, irrigação, proteção de fontes, armazenamento de água etc. Juntar estes trabalhos e outros exemplos para começar a direcionar as ações no Vale.

Os nossos córregos, arroios e rios se não secos muito baixo do volume normal. Alguém está aproveitando e limpando a sujeira e galhos, refazendo os “pocinhos” onde agua fica por mais tempo inclusive aumentando a vida dos peixes e plantas aquáticas? Acredito que muito pouco. E aqueles que largam o esgoto e estercos direto como fica? Até o borrachudo pode ter sua vida atrapalhada nas limpezas de arroios. Meu tempo de guri fazíamos pequenas taipas de pedra para tomar banho e pescar diminuíamos a velocidade da água. Piracema se não for a patrulha ambiental muitos não respeitam.

Está mais que na hora de tomar decisão de lidar corretamente com a situação. Favorecendo até com bônus para quem atua corretamente. E com a lei para os transgressores. Castigo que dói no bolso para a consciência se lembrar. Pagaremos muito caro pela água. Está barata e talvez seja um dos problemas falta valorização deste precioso líquido.
Leis estão vindo por aí para remunerar quem cuida da natureza, aguardem.

2 Comentários

  1. E o executivo envia uma lei para a Câmara, cedendo, de graça, área em parque publico para que uma empresa privada retire água para ser usada na sua linha de produção! Não é uma beleza (ironia)?

  2. Mata ciliar na beira do rio? Mas o próprio Caumo, com aval da Fepam destrói a beira do rio… Com o aplauso da imprensa amiga.

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