Prejuízos da estiagem: “Além de perder a safra, podemos estar perdendo o ano”, afirma presidente do STR Lajeado

Com a cadeia produtiva afetada, Lauro Baum explica que, na área urbana, os consumidores sentirão os reflexos na forma de alta de preços nos supermercados


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Lauro Baum, presidente do STR Lajeado (Foto: Tiago Silva)

Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR) de Lajeado, Lauro Baum, a estiagem do fim do ano passado e que prossegue no início de 2022 é a mais agressiva dos últimos 17 anos. Em entrevista ao Troca de Ideias desta quarta-feira (5), ele afirmou que “além de perder a safra, podemos estar perdendo o ano”. Essa avaliação diz respeito às perdas que os produtores acumulam nas plantações de milho, soja, silagem, grãos, o que afeta também o gado leiteiro e a avicultura.

Baum explica que os prejuízos são ainda mais acentuados na cultura do milho porque a falta de chuvas pegou praticamente todo o período desta safra, desde o final de julho em diante. Conforme ele, na área urbana, nos supermercados, os consumidores ainda não percebem os impactos da estiagem no campo. “Ainda não chegou para a população urbana”, diz ele. Porém, não vai demorar, garante.

Já há fornecedores locais, como os de hortifrutigranjeiros, que não conseguem mais abastecer as prateleiras dos supermercados em função da falta de produtos e baixa qualidade dos que têm disponíveis. A alta temperatura do sol é terrível para as plantações, afirma o presidente do STR de Lajeado.

Sem fornecedores locais, os produtos e insumos chegam de outras regiões que ainda há chuva suficiente. Porém, com custo maior. “Isso é um reflexo que logo, logo vai estar na conta de todo mundo”, admite Baum. “Vai atingir todo mundo. É questão de tempo”, estima.

O dirigente lembra que o agronegócio é o principal setor da economia brasileira, aquele que se mantém mesmo nas piores crises. No entanto, é sub-representado no Orçamento da União, tem participação de menos de 0,5%, Baum lembra.

No seu entendimento, os produtores e empresários do ramo caminham com as próprias pernas e arcam com os prejuízos sozinhos. “Agricultura é uma empresa a céu aberto”, destaca. “Isso tinha que ser revisto urgentemente”, defende, sobre um socorro ao setor em momentos de seca e estiagem.

Texto: Tiago Silva
web@independente.com.br

 

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