Primeiro-ministro do Japão anuncia que vai deixar o cargo

No poder há menos de um ano, Yoshihide Suga registrava alta impopularidade, impulsionada pela oposição japonesa à Olimpíada e à sua atuação no combate à covid-19


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Foto: David Mareuil / Pool via Reuters

No poder há menos de um ano, o primeiro-ministro do Japão, Yoshihide Suga, anunciou nesta sexta-feira que não concorrerá à reeleição para a liderança do governista Partido Liberal Democrata (PLD), efetivamente renunciando ao comando do país. A disputa pela liderança do partido estava marcada para 29 de setembro, um mês antes de quando devem ocorrer as eleições gerais.

A decisão foi tomada após sua popularidade despencar nos últimos meses, um reflexo da sua criticada resposta à covid-19, cujos casos quintuplicaram desde o início dos Jogos Olímpicos, em agosto.

Suga tomou posse em 14 de setembro de 2020, pouco após seu antecessor, Shinzo Abe, o premier mais duradouro da história japonesa, renunciar por motivos de saúde. Filho de um agricultor e antigo operador dos bastidores políticos japoneses, o primeiro-ministro, de 72 anos, com frequência parecia desconfortável sob os holofotes.

Sua saída, contudo, levanta temores de que o Japão volte à época de alta rotatividade na chefia do governo que antecedeu os quase oito anos de Abe à frente do Japão. Nos seis anos anteriores ao mandato do ex-premier, foram seis primeiros ministros diferentes. A tendência, contudo, é que não haja grandes rupturas políticas.

Apesar da grande troca de primeiros-ministros, o conservador PLD de Suga e Abe está no poder no Japão desde sua fundação, em 1955, com breves intervalos nos anos 1990 e no início da década de 2010. O partido agora precisará escolher um novo líder, que o guiará nas eleições gerais marcadas para 30 de novembro.

A aprovação de Suga havia caído da casa dos 60% no início do ano para menos de 30%, levantando preocupações sobre como seria o desempenho do PLD na próxima eleição geral. A pressão sobre ele, contudo, aumentou após a Olimpíada — segundo uma pesquisa divulgada pelo instituto Ipsos em julho, 78% dos japoneses eram contra a realização do evento naquele momento.

Disputa pela sucessão

Diante da incerteza, um de seus principais rivais, o ex-chanceler Fumio Kishida, anunciou no mês passado que disputaria a liderança do PLD.

Até o início da semana, Kishida era o único concorrente declarado à liderança do PLD, e ganhou o apoio das alas jovens do partido após declarar que demitiria o poderoso secretário-geral da sigla, Toshihiro Nikai, se fosse eleito. Sanae Takaichi, ex-ministra das Comunicações e uma das poucas mulheres a compor o governo de Abe, também demonstrou interesse em disputar o posto.

Fonte: O Globo e G1

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