Produtor de Lajeado perde mais de R$ 122 mil em plantação de milho por falta de chuva

Eduardo Dörr e sua família perderam 70% da produção. Cerca de 80 produtores do Vale do Taquari já procuraram a Emater para acionar auxílio seguro


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Na propriedade foi plantado milho em 13 hectares de terra (Foto: Gabriela Hautrive)

Com a falta de chuva, propriedades em todo o Rio Grande do Sul sofrem as consequências com a perda de produção, principalmente do milho e soja, que são culturas de verão. No Vale do Taquari, conforme o assistente técnico regional na área de Crédito Rural, engenheiro agrônomo da Emater Alano Tonin, cerca de 80 produtores do Vale do Taquari, envolvendo as cidades de Lajeado, Estrela, Cruzeiro do Sul, Teutônia, Anta Gorda, Dois Lajeados, entre outras, até esta quarta-feira (15) já haviam solicitado vistoria para aquisição do auxílio seguro do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro).

Segundo a Emater do Estado, o prejuízo já está perto dos R$ 6,5 milhões e entre os empreendimentos mais afetados está a produção de milho.


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Na propriedade de Eduardo Dörr e sua família, localizada às margens da ERS-130, no Bairro Jardim do Cedro, em Lajeado, a perda em valores está estimada em R$ 122,850, o que representa 70% da plantação de milho em 13 hectares da propriedade, contabilizando o que seria convertido em sacas para venda e aquilo que iria ser utilizado para silagem e trato dos animais. “Estamos com mais de 60 dias sem uma chuva decente que possa nos animar, estamos assumindo as consequências e temos que colher aquilo que restou”, relata o produtor. Os cerca de 30% que sobraram da plantação serão aproveitados da forma que for possível, segundo Dörr. “Uma parte vamos fazer silagem, pois temos gado próprio, então pelo menos manter o alimento dele e outra parte para grão pra pagar as despesas”, explica.

Eduardo Dörr e seu tio, Lauro Auler (Foto: Gabriela Hautrive)

De cada hectare seriam colhidas 150 sacas de milho, sendo que são 13 hectares e cada saca é vendida a R$ 90. Por tanto, dos R$ 175,500 que seriam obtidos na propriedade, R$ 122,850 mil foram perdidos, restando apenas R$ 52 mil para o custeio de despesas. “Isso gira entorno de 60/70% de perda por hectare calculado.”

O restante que foi possível salvar se da por diferentes fatores, conforme Dörr. “É o solo e o que a planta em si produz que é o ciclo dela, o que nos entrega sem chuva.” A pouca quantidade chuva que caiu na região nesta semana não melhora em nada a situação. “Só deixou o milho um pouco verde, mas com o calor já amarela de novo”, pondera.

Parte da plantação foi cortada para ser usada como silagem (Foto: Gabriela Hautrive)

Agora, o pensamento está nas próximas safras, já que não é possível recuperar o que foi perdido neste período. “Para safrinha resolve se chover, mas o que já está plantado não resolve mais, apenas para um plantio novo”, ressalta.

Caso a chuva do mês tivesse sido como o esperado, em janeiro o milho começaria a ser colhido. O engenheiro agrônomo Alano Tonin informa que o acumulado de chuva em novembro para Lajeado foi de 34 mm, enquanto a média histórica é de 168 mm. Em Anta Gorda, por exemplo, na região alta do Vale do Taquari, o acumulado de novembro foi de apenas 14 mm.

Confira também: Agricultor que investiu R$ 100 mil em plantio de milho e soja já perdeu 60% pela falta de chuva

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