Professor explica origem da opressão às mulheres pelo Talibã: “A sociedade imaginada por eles é uma sociedade do passado”

Mateus Dalmáz contextualiza que no mundo islâmico não há a separação entre Estado e religião, uma marca da sociedade ocidental


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Professor Mateus Dalmáz e a apresentadora Rita de Cássia (Foto: Tiago Silva)

O professor de história e relações internacionais Mateus Dalmáz abordou a opressão às mulheres realizada pelo grupo extremista Talibã, que tomou o poder no Afeganistão com a saída dos americanos e seus aliados ocidentais depois de 20 anos de intervenção no país. Ao programa Papos de Mulher, o pesquisador explicou a origem dessa visão de mundo.

Conforme Dalmáz, há uma diferença fundamental na cultura histórica do Ocidente para o Oriente, especialmente no Oriente Médio, que reside na separação entre o Estado e religião. No Ocidente, desde pelo menos o século 18, sobressai-se um entendimento de Estado laico, sem o vínculo com uma religião oficial e maior proteção aos direitos individuais da sociedade civil.

No Oriente Médio e no mundo islâmico em particular, o Estado é constituído a partir de um direito que vincula a religião na sua organização institucional.

VÍDEO: Assista ao Papos de Mulher na íntegra, com a entrevista

O professor explica que, no caso particular do Talibã e do Estado Islâmico, grupo autor de atentados a bomba nos arredores do aeroporto de Cabul, a interpretação do islamismo é extremamente rígida, ortodoxa e tradicional que remete a um passado distante. Ambos são da corrente sunita do islã.

Dalmáz conta que os dois grupos tentam recriar uma sociedade que lembra os primeiros tempos, de quando o islamismo surgiu na península arábica, no século 7. Aos olhos do mundo atual, essa cultura é extremamente machista e opressora às mulheres. Essa visão entende que a política e os negócios são para os homens, e a família, o lar e o trabalho doméstico para as mulheres. “A sociedade imaginada por eles é uma sociedade do passado, uma volta a um jeito de se organizar como antigamente”, reforça o professor.

O historiador situa que o islamismo foi reforçado nessas nações do Oriente Médio como uma forma de afirmação nacional como contraste ao mundo ocidental.

Mudança de paradigma

A intervenção americana após o atentado às Torres Gêmeas, em 2001, foi uma mudança de paradigma no Afeganistão. O Talibã governou de 1996 até 2001. Despejados do poder, os americanos deram suporte a um governo pró-Ocidente em Cabul. Desde então, as mulheres oportunidades maiores para a sociabilidade, acesso ao ensino superior e ao mercado de trabalho.

A grande questão, ressalta Mateus Dalmáz, é como o Talibã vai se portar em relação a essa nova configuração. Antes, na década de 1990, sem liberdade de expressão, era mais fácil reprimir as vozes dissidentes do regime.

“Conseguirá o Talibã hoje, depois de os afegãos terem convivido com maior liberdade de expressão e o acesso à internet, implementar um regime como na década de 1990? Como a sociedade civil reagirá?”, questiona o professor.

O estudioso do tema aponta que é uma relação complexa. Caso o Talibã modere, ele fica frágil na disputa com demais grupos, ainda mais extremistas, como o braço afegão do Estado Islâmico, conhecido como ISIS-K.

Dicas

Para entender melhor essas relações, conflitos e visões de mundo, o professor indica o filme “Argo” (2012), com Ben Affleck, sobre a revolução islâmica no Irã; o site mundorama.net e livro “O Orientalismo”.


Estilo, por Douglas Petry

O jornalista e consultor de estilo Douglas Petry aborda moda, arte, decoração, estilo e bom gosto todos os sábados no Papos de Mulher, dentro do quadro “Estilo”.

Nesta edição, ele aborda a influencer mexicana que criou polêmica ao proibir crianças em casamento. Confira!

 


Papos com quem sabe

O quadro “Papos com quem sabe” deste sábado (28) tem a participação da Ana Claudia Kist, especialista em marketing e idealizadora do Atelier de Mkt.

O tema é “perguntas que devemos fazer para os nossos clientes”. Ouça!

 


Na Cozinha: Croquete de Quinoa

com Daniel Bortolini

 

Ingredientes

  • ½ xícara (de chá) de quinoa em grãos
  • 1 colher (de sopa) de azeite
  • 2 dentes de alhos amassados
  • 1 cebola picada
  • Sal e salsinha a gosto
  • ¼ de pimentão vermelho
  • ¼ de pimentão amarelo
  • ½ xícara (de chá) de farinha de milho

Modo de preparo

Cozinhe a quinoa como se fosse cozinhar um arroz e reserve.

Em outra panela refogue os pimentões com o alho e a cebola. Adicione a salsinha e o sal. Acrescente a quinoa e a farinha aos poucos, até desgrudar do fundo do panela.

Faça os croquetes e disponha em uma forma untada. Leve ao forno já preaquecido a 180 °C por 15 minutos. Vire na metade do tempo para dourar do outro lado.

Receita e imagem: alergiaaoleitedevaca.com.br


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