Proibição de medicamentos para emagrecer no Brasil é alarmante, diz a médica Aline Scapini Caumo

"Para obesidades mórbidas, é muito difícil tu tratar somente com dietas e atividades físicas", explica a endocrinologista


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Aline Scapini Caumo, médica endocrinologista (Foto: Rodrigo Gallas)

No programa Panorama desta segunda-feira (18) conversamos com a médica endocrinologista Aline Scapini Caumo. Em pauta, a lei que autorizava a produção, comercialização e consumo de quatro substâncias anorexígenas, ou seja, capazes de inibir o apetite e induzir o emagrecimento e foi derrubada pelo STF na última quinta-feira (14).

Conhecidas como “pílulas para emagrecer”, por serem comercializadas nesse formato, as substâncias sibutramina, anfepramona, femproporex e mazindol, que atuam sobre o cérebro, tiveram seu uso liberado no Brasil pelo Congresso mesmo depois de uma resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ter imposto uma série de restrições às substâncias.


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A lei foi sancionada em junho de 2017 pelo então presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que encontrava-se em exercício temporário da Presidência da República. À época, a própria Anvisa divulgou nota lamentando a sanção, que para a agência trouxe “grande risco à saúde da população”.

As substâncias femproporex, mazindol e anfepramona, por exemplo, são alvo de restrições na Europa e nos Estados Unidos desde os anos 1990. A sibutramina, por sua vez, tem uso regulamentado em alguns países, embora com restrições. Antes da lei, a Anvisa já permitia a venda controlada da substância por fabricantes previamente autorizados.

De acordo com a médica endocrinologista, a proibição da sibutramina “traria prejuízos enormes”. O medicamento é seguro quando bem indicado e obtém grande sucesso na perda de peso. “Para obesidades mórbidas, é muito difícil tu tratar somente com dietas e atividades físicas”, relata.

Ela explica que este é o medicamento que mais utiliza entre os seus pacientes. “Seria muito alarmante parar de usar a sibutramina. Uma grande parcela da população ficaria sem ter o que fazer.” Os maiores impactados seriam as pessoas das classes economicamente mais desfavoráveis. RG

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