Projeto aprovado por vereadores sobre cultura tradicionalista não altera grade curricular nas escolas de Lajeado

Sindicato e secretária de Educação explicam que trabalho já é realizado. Vereador Deolí Gräff (PP) reforça que o projeto “formaliza e transforma em lei o que já é feito”


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Imagem ilustrativa de alunos na sala de aula em Lajeado (Foto: Gabriela Hautrive)

O Sindicato dos Professores Municipais de Lajeado (SPML) publicou uma nota na tarde desta quarta-feira (15) sendo contra a o projeto de lei que foi aprovado na sessão da Câmara de Vereadores dessa terça-feira (14). A proposta, de autoria de dois parlamentares da base do governo, Mozart Lopes (PP) e Deolí Gräff (PP), inclui o conteúdo de cultura tradicionalista nas aulas das escolas municipais.


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A presidente do Sindicato dos Professores Municipais de Lajeado, Rita de Cássia Quadros da Rosa, relata que o projeto foi aprovado sem discussão e sem consulta aos professores, sendo que o conteúdo já é ensinado na prática. “Todo o conhecimento, todo o conteúdo que é acrescentado ou tornado obrigatório no currículo das escolas, ele precisa de debate, precisa ser uma construção coletiva”, explica. Segundo Rita de Cássia, os professores procuraram o sindicato questionando como os vereadores aprovaram um conteúdo obrigatório sem a participação dos profissionais que executam o trabalho.

“A aprovação desse projeto faz parecer que esse tema não é trabalhado nas escolas, o que é não é verdade. Qualquer escola do município, basta passar na frente de cada uma delas no mês de setembro, trabalha e muito a cultura tradicionalista”, relata.

Presidente do Sindicato dos Professores Municipais de Lajeado, Rita de Cássia Quadros da Rosa (Foto: Gabriela Hautrive)

Além disso, a presidente diz que todos os alunos dos quintos anos trabalham questões locais do Estado do Rio Grande do Sul nas escolas do município. “Fica parecendo que a cultura tradicionalista não é abordada no município, o que não é verdade”, reforça. Na prática, Rita de Cássia afirma que não mudará em nada o funcionamento do ensino dentro das escolas. “Não vai alterar nada. Os professores e os estudantes continuarão participando e realizando eventos e ações relacionados a cultura tradicionalista nas escolas.”

O vereador Deolí Gräff, um dos autores do projeto, informa que a iniciativa é da Frente Parlamentar dos Vereadores pela Tradição, na qual ele participa representando a 24ª Região Tradicionalista, e que propostas semelhantes também estão sendo apreciadas em outros 50 municípios do Rio Grande do Sul. “Na mensagem justificativa do projeto, consta que será mantido o mesmo quadro de professores e as mesmas atividades, apenas implementando o conteúdo curricular na questão específica do tradicionalismo.”


ouça a posição do vereador

 


Gräff acrescenta que conversou com a secretária de Educação de Lajeado, Adriana Vettorello, e o setor pedagógico, que se manifestaram favoráveis ao projeto. “Nessa conversa com a secretária, trocamos informações do que as escolas já estão realizando no ensino do tradicionalismo. Esse projeto vai formalizar e transformar em lei o que na prática já está acontecendo”, explica o vereador.

Vereador Deolí Gräff (PP) (Foto: Caroline Silva / Arquivo / Rádio Independente)

A secretária confirma a informação sobre a reunião com o vereador e reforça que o trabalho já acontece nas escolas. A única diferença é que, diferente de disciplinas como matemática, artes e outras, a cultura gaúcha não está especificamente na grade curricular, mesmo que o conteúdo já seja estudado na prática. “Não vi problema nenhum quando ele (vereador Deolí) apresentou o projeto, porque não interfere em nada na grade curricular, já falei com a Rita também (presidente do SPML). Não tem como fazer uma alteração na grade curricular, nem eu poderia fazer”, diz a titular da pasta.


ouça o esclarecimento da secretária

 


A educadora explica que não é contemplado no projeto a alteração no currículo escolar, apenas a importância de trabalhar o tradicionalismo. “Em nenhum momento, se olharmos a lei, fala que a partir deste momento as escolas terão que colocar esse componente curricular, onde vai ter que dispor de professores e carga horária, por isso que na conversa isso ficou muito tranquilo”, declara.

Secretária de Educação de Lajeado, Adriana Vettorello (Foto: Tiago Silva / Arquivo Rádio Independente)

Durante a sessão em que o projeto foi aprovado por unanimidade de voto dos vereadores, Carlos Eduardo Ranzi (MDB) pediu vista, ou seja, mais tempo para análise. Porém, seu pedido foi derrubado com o voto contrário de sete vereadores: Ana da Apama (MDB), Alex Schmitt (PP), Rodrigo Conte (PSB), Paula Thomas (PSDB), Nestor da ambulância (PSDB), Mozart Lopes e Deolí Gräff.

Texto: Gabriela Hautrive
reportagem@independente.com.br

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