Projeto leva leite materno do Vale do Taquari para bebês na UTI do Hospital Santa Casa em Porto Alegre

Proposta surgiu em 2019 com iniciativa da fonoaudióloga e consultora em amamentação, Joanna Moraes.


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Fonoaudióloga e consultora em amamentação, Joanna Moraes (Foto: Gabriela Hautrive)

O leite materno proporciona muitos benefícios para os bebês, principalmente nos primeiros dias de vida, mas nem todas as mulheres conseguem oferecer essa alimentação aos seus filhos, pelos mais variados motivos. Sabendo dessa importância e necessidade, a fonoaudióloga e consultora em amamentação, Joanna Moraes, que trabalha na UTI Neonatal do Hospital Estrela, resolveu criar um projeto em alusão ao novembro roxo, que promove ações e eventos ligados à prematuridade. A proposta visa coletar o leite de mulheres da região e destinar aos bebês da UTI Neonatal do Hospital Santa Casa, em Porto Alegre.


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A campanha surgiu em 2019 e chega a sua segunda edição neste ano, com envio de leite para casa de saúde neste sábado (14). Conforme Joanna, no ano passado foram doados cerca de dois litros e desta vez a quantia deve ser ainda maior, passando dos três litros. “Ano passado coletei durante o mês inteiro, pegava o frasco vazio e levava um cheio, também contei com ajuda e parceria da Prefeitura de Estrela. Esse ano como estou com menos tempo, optei por pegar mais frascos e fazer somente durante uma semana”, conta.

Cada participante da ação, que são integrantes do Grupo de Gotinhas do Vale, recebem um kit com manual de instruções, luvas, touca, máscara e o recipiente para depositar o alimento coletado. A quantidade mínima de leite doado é 100ml e a máxima 500ml. “Entrego os materiais com todas as orientações, elas precisam esterilizar os utensílios e higienizar as mãos, tem que estar tudo esterilizado. O leite é armazenado no freezer e pode ficar congelado por 15 dias, mas eu levo ele dentro de uns sete a dez dias pra dar tempo de fazer a pasteurização”, explica.

Esse ano a campanha também recebeu parceria da Salus Vacinas para armazenagem. “Ela vai emprestar caixas, gelos e me ajudar a coordenar a temperatura do leite para que ele chegue em Porto Alegre com qualidade ideal para ser repassado aos bebês”. O produto é enviado para capital pelo fato de não existir um banco de leite na região, porém já há uma estrutura para receber um espaço semelhante no Vale do Taquari. “O Hospital Estrela possui uma estrutura física, mas ainda está organizando a parte burocrática e de equipamentos”, relata Joanna. Além da Salus, a doação também tem apoio da loja Basic Store que vai promover um sorteio para todas as mulheres participantes.

Além desta campanha, a profissional sempre busca promover ações voluntárias em alusão a diferentes datas. Ela já realizou atividades no Agosto Dourado por conta do mês da amamentação, faz palestras gratuitas para empresas, neste ano no formato online por conta da pandemia, e também oferece curso preparatório para quem deseja amamentar. Tudo isso é realizado por Joanna como uma forma de preencher sua vida, tanto profissional, como pessoal. “Sei da importância que o leite materno tem para bebês prematuros. Isso representa que levamos saúde para eles. Foram mais de 2 litros de leite, não é grande coisa, mas 1 litro alimenta cerca de dez bebês, pelo fato de serem pequenos as vezes 10ml já é o suficiente na dieta deles”, explica.

Sentimento de quem doa

Ângela Gerhardt, mãe da Helena, é uma das participantes da ação (Foto: Arquivo Pessoal / Divulgação)

Uma das integrantes do Grupo de Gotinhas do Vale, que conta com cerca de 50 mulheres, é Ângela Gerhardt, mãe da Helena. Ela conta que quando teve a oportunidade de participar da doação estava em um momento de baixa produção de leite, mas a vontade de ajudar era muito grande, mesmo não tendo certeza se daria certo. “Como eu iria ter leite para amantar minha filha e ainda sobrar para a doação? Para minha surpresa naquela semana o volume de leite aumentou muito. Cada vez que eu me preparava para fazer a ordenha do leite eu pensava: quantas mães e crianças eu vou poder ajudar, e isso me alegrava muito e eu era tomada por um sentimento de amor e positividade”, conta.

A vontade de querer ajudar alinhada ao aumento na produção de leite possibilitou que Ângela fizesse a doação e continuasse amamentando a sua filha. “Sou muito grata a Joanna que possibilitou eu e tantas outras mães a participarem e ajudarem nessa ação”, completa.

Texto: Gabriela Hautrive
producao@independente.com.br

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