MP denuncia Patussi pela morte de Jacir Potrich

Promotor pediu a prisão preventiva do dentista.


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#UnidadeMóvelCaso Potrich: promotoria acusa dentista Carlos Alberto Patussi Confira o momento da declaração de acusação em entrevista coletiva com o promotor André Prediger 👇

Posted by Rádio Independente on Thursday, April 11, 2019

Vídeo: Luís Fernando Wagner

O Ministério Público denunciou o dentista Carlos Alberto Weber Patussi (52) pelo homicídio e ocultação de cadáver do gerente do Sicredi de Anta Gorda, Jacir Potrich (55). A decisão foi comunicada em coletiva de imprensa, na manhã desta quinta-feira (11), na sede da Promotoria Pública da Comarca, em Encantado, pelo promotor André Prediger. Ao longo da coletiva, Prediger esteve acompanhado da esposa e filho do bancário, Adriane e Vinícios Potrich.


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Conforme Prediger, os elementos colhidos e anexados ao inquérito são suficientes para formar sua conclusão. “Eu e minha equipe recebemos o inquérito faz 10 dias. Desde então, nos debruçamos neste processo. O trabalho foi todo realizado pela Polícia Civil, sem a interferência do Ministério Público. Trata-se de um inquérito de homicídio sem corpo, sem perícia. Todas as noites antes de dormir, me perguntava quem havia matado Jacir Potrich: foi ele (Patussi) ou não foi? Existem indícios? Existem provas? Eu me convenci como Promotor de Justiça? E minha resposta positiva, foi ele”, afirmou o promotor.

Homicídio triplamente qualificado

Patussi é acusado pelo MP por homicídio triplamente qualificado por motivo torpe e ocultação de cadáver. “Crime por motivo torpe pelo desentendimento entre eles e pelo recurso que impossibilitou a defesa. Convencido de que foi ele, pela postura dele, imagens, contradições dos depoimentos dele e de suas testemunhas. Ele prejudicou a investigação. Apagou um vídeo que possuía em seu computador. Todos esses indícios me levam a conclusão de que foi ele. Não conseguiria dormir tranquilo se não o denunciasse”, disse.

Para o promotor, Patussi matou Potrich por asfixia. “Um vídeo que ainda não foi divulgado, mas que consta nos autos, mostra Potrich dirigindo-se até o quiosque de sua casa e, logo em seguida, aparece Patussi indo para o mesmo local. Um minuto depois, Patussi aparece saindo sozinho, e a partir daí, Potrich desaparece. Acredito que ele tenha matado a vítima por asfixia, com um golpe por trás, como uma gravata”, disse.

Ocultação de cadáver

André Prediger também denunciou Patussi pelo sumiço do corpo de Potrich. Ele citou o caso do goleiro Bruno, com um episódio similar ao processo em questão. “Assim como no caso do goleiro Bruno, que matou sua ex-companheira, o corpo também não apareceu. Esse é um crime diferente. Juntei na denúncia doutrina e jurisprudência que permitem que crimes deste naipe permitem que o processo prossiga sem o corpo. Do contrário, iria coroar o autor do crime perfeito”, esclareceu.

Outros envolvidos

Inicialmente, apenas Patussi foi denunciado, mas Prediger não descarta a possibilidade de envolvimento de mais pessoas. “Quem matou foi ele (Patussi), mas não posso descartar a possibilidade de envolvimento de outras pessoas na ocultação do cadáver. Já temos uma linha de investigação neste sentido.”

Investigações prosseguem

Prediger admite várias hipóteses para a destinação do corpo. “Não descartamos nenhum possibilidade. Inclusive aquela que já foi aventada que é a dissolução do corpo em ácido. Porém, já temos uma linha de investigação. Por isso, quero esclarecer que o inquérito segue em andamento. Ainda não acabou. A Polícia Civil, e agora o MP também, vão continuar investigando, especialmente o paradeiro dos restos mortais de Jacir Potrich.”

Pedido de prisão

O promotor de Justiça André Prediger, além da denúncia, encaminhou ao Judiciário pedido de prisão preventiva do acusado. “Entendo que existem elementos de prova que preenchem os requisitos. Ele tem condições financeiras, dupla cidadania e pode se evadir a qualquer momento. O crime também abala a ordem pública, mobilizando toda a região. É um dos crimes mais paradigmáticos do Rio Grande do Sul”, afirmou.

Próximos passos

Agora, a denúncia segue para análise da juíza da Vara de de Execuções Criminais da Comarca de Encantado, Jaqueline Bervian. Caberá à magistrada decidir se recebe ou descarta a denúncia e o pedido de prisão. “Acredito que, por se tratar de um crime de repercussão, a magistrada que tem a direção do processo deve decidir sobre a denúncia e o pedido de prisão até o fim desta semana. Se houver o recebimento, Carlos Patussi aguardará a conclusão do processo na prisão. Depois, será submetido a júri popular”, explicou Prediger.

O caso

O gerente do Sicredi de Anta Gorda, Jacir Potrich (55), desapareceu no dia 13 de novembro de 2018, após chegar em casa de uma pescaria. Depois de considerar, pelo menos, sete linhas de investigação diferentes, no dia 17 de janeiro de 2019, a Polícia Civil pediu a prisão temporária do vizinho de Potrich, o dentista Carlos Alberto Weber Patussi (52). Imagens de câmeras de vigilância do condomínio ocupado por três famílias foram determinantes. Patussi foi preso em Capão da Canoa, na manhã do dia 23 de janeiro e recolhido ao Presídio de Encantado.

Pela tarde, no dia da prisão de Patussi, o delegado responsável pelo caso, Guilherme Pacífico, concedeu entrevista coletiva. Na ocasião, ele afirmou não ter dúvida do envolvimento do dentista no crime. “As imagens, junto com outros elementos, nos dá certeza de que o preso é o autor, e que, preliminarmente, agiu sozinho, sem a participação de terceiros”, afirmou. Para o delegado, Patussi teria participado da morte de Potrich e ocultado o cadáver, que até hoje não foi localizado. “Trabalhamos com a possibilidade da ocultação local do cadáver, por isso da utilização de cães farejadores. Também há possibilidade, em algum momento anterior, ele ter retirado o corpo, quando ainda, sequer, era tido como suspeito”, comentou. O dentista ficou detido até 31 de janeiro, quando foi libertado mediante pedido de habeas corpus acatado pelo Tribunal de Justiça (TJ-RS).

Logo após a soltura de Patussi, Guilherme Pacífico pediu sua exoneração do cargo. Ele disse que já havia tomado a decisão de deixar o Rio Grande do Sul antes mesmo da conclusão do inquérito, para voltar à sua terra natal, o estado do Espírito Santo, onde atualmente ocupa cargo no Governo do Estado. A delegacia e o inquérito foram assumidos pelo delegado Márcio Marodin.

Coleta de provas

Logo após o desaparecimento de Potrich, a polícia tomou conhecimento de desavenças envolvendo o bancário e o dentista e passaram a considerá-lo suspeito. De acordo com os investigadores, Patussi resistia em entregar seu computador à polícia. No equipamento estavam armazenadas as imagens das câmeras de vigilância.

Com as imagens em mãos, a polícia concluiu que Patussi foi a última pessoa a ver Potrich vivo no quiosque, após o bancário chegar da pescaria, no dia de seu sumiço. As câmeras mostram o momento em que Patussi voltou do quiosque, subiu no telhado, analisou o local, desceu e mexeu em duas câmeras. Uma delas foi apontada para o alto e outra acabou sendo desligada.

À Polícia Civil, Patussi justificou a ação, dizendo que estava realizando trabalho de pintura e limpeza. Por isso, precisou mexer nas câmeras. Para as autoridades, o dentista teria alterado o foco dos monitores intencionalmente, a fim de impedir que a parte dos fundos de sua casa fosse filmada. Outro fato que chamou a atenção dos policiais foi imagem captada pelas câmeras, na qual Patussi sobe no telhado de casa pela janela para, supostamente, avaliar o trabalho que um pintor estaria realizando na residência. Para os investigadores, Patussi “não estava agindo normalmente”.

Desavença antiga

A relação dos amigos Jacir Potrich e Carlos Patussi teria se fragilizado em função troca de endereço da sede do Sicredi no município. O antigo imóvel é de propriedade do dentista. Segundo testemunhas, Patussi teria ficado magoado por não ter sido avisado por Potrich sobre a troca de endereço para outro imóvel. O episódio reforçou a desconfiança da polícia.

O que diz a defesa

Para o advogado Paulo Olimpio Gomes de Souza, encarregado da defesa jurídica de Patussi, o dentista é inocente. Ele nega obstáculos que teriam sido impostos pelo suspeito para entregar material requisitado pela investigação.

Olimpio reforçou que era hábito de seu cliente subir ao telhado, inclusive quando estavam sendo feitos serviços na casa. Ele também frisa que Patussi e Potrich não se encontraram no quiosque e que o local não era monitorado por câmeras.

Carlos Patussi aguarda os desdobramentos do inquérito em liberdade e segue atendendo em seu consultório odontológico em Anta Gorda. LF


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