Psiquiatra analisa o impacto da cultura do cancelamento e os linchamentos virtuais

"O que faz a sociedade evoluir são comportamentos humanos, e não o 'mimimi', não o reclamar", afirma Rafael Moreno.


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Psiquiatra Rafael Moreno (Foto: Divulgação)

O médico psiquiatra Rafael Moreno falou sobre cultura do cancelamento e linchamentos virtuais quando não se gosta de uma opinião contrária e controversa em sua participação no “Direto Ao Ponto” desta quinta-feira (4). Conforme ele, esse comportamento tem relação com uma característica humana de resposta negativa às adversidades e a tendência que se observa na adolescência, quando o jovem critica e culpa os pais por tudo.


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“Óbvio que alguns adultos permanecem com esse tipo de comportamento, muito porque ficaram nesse estágio de desenvolvimento, não conseguiram evoluir nesse tipo de relação, já que o adulto ouve, escuta, reflete e depois ele argumenta. O ser humano adulto não sai dando respostas reflexas sem muito pensamento, e uma conversa adulta é uma troca de ideias. Em uma conversa adulta verdadeira, a gente não fica tentando convencer o outro do nosso posicionamento; a gente escuta e a ideia é que no final ambos saiam modificados”, argumenta o profissional.

Rafael Moreno explica que, quando se quer mudar o comportamento de alguém, não se deve chegar com visões afirmativas e terminativas sobre o assunto. Segundo ele, frente a uma novidade, a primeira reação humana é dizer não, é ficar refratário.

Para o psiquiatra, a polarização entre visões de mundo opostas faz com que esse “cancelamento” e linchamento virtual seja muito mais comum. Moreno analisa que entre o certo e o errado, existem múltiplas opções para se buscar um melhor entendimento.

O médico reconhece que a comunicação virtual tem muita influência nessa dinâmica, pois ampliou as possibilidades de manifestações para quem tinha dificuldade de se expressar no campo presencial. Porém, sem os freios de uma relação frente a frente, nas redes sociais, acabam sendo registrados posicionamentos impensados, percebe Moreno.

“O que faz a sociedade evoluir são comportamentos humanos, e não o ‘mimimi’, não o reclamar”, afirma o analista.

 

 

1 comentário

  1. Não é à toa que há tanta depressão entre os jovens de hoje: curtidas, likes, compartilhamentos, cancelamentos, rede social, vida digital… soma-se ainda o “politicamente correto”, a doutrina do vitimismo / coitadismo e pronto, temos uma geração inteira totalmente fraca, indefesa e manipulável.

    Nunca antes se deu tanta importância para a aparência (modinha) e para a popularidade (seguidores, likes, compartilhamentos) e a sociedade também nunca esteve tão polarizada como está hoje (politicamente falando, bolsonaristas e antibolsonaristas) e tão dividida de tantos jeitos (ricos x pobres, negros x brancos, homossexuais x heterossexuais, homem x mulher, idoso x jovem, nativo x imigrante, cristão x não cristão, deficiente x não deficiente, animais x seres humanos, carecas x cabeludos, beleza padrão x beleza natural……).

    Que inferno é este que o mundo se transformou? Há 30 ou 40 anos atrás tudo mundo era igual!

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