Qual é o limite da demonstração de amor?

Gustavo Bozetti, diretor da Fundação Napoleon Hill e MasterMind RS traz uma reflexão de até onde devemos ir quando amamos algo ou alguém


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Gustavo Bozetti, diretor da Fundação Napoleon Hill e do MasterMind RS (Foto: Jonas de Siqueira)

No último domingo, conversávamos entre amigos sobre a criação de nossos filhos. Decidi escrever algo que há tempos vinha pensando: Qual é o limite do amor? Até onde devemos ir quando amamos algo ou alguém?

Napoleon Hill, no livro mais vendido do Brasil em 2020, diz que qualquer forma de amor pode ser perigosa, a não ser o amor pelo propósito definido. Quando está fora de controle, o amor pode encobrir a razão, tendo como consequência a “alienação” das pessoas em relação à realidade. Amar demais os filhos, cônjuge, pais, irmãos, negócios, funcionários, time do coração – não importa quem ou o que – pode fazer com que nossos valores sejam postos em cheque, tendo como consequência ações e comportamentos inadequados.

Quantas vezes já nos deparamos com situações onde pais protegem demasiadamente seus filhos a ponto de corromper seus valores? Quantos empresários vimos falir por não saberem a hora certa de fechar a empresa? Quantas famílias entram em conflito porque alguns não sabem dizer “não” aos familiares? Outro dia soube de um fato interessante. Um menino levou para a escola um brinquedo que havia ganho de sua madrinha no final de semana. Ao longo da manhã, um colega pegou o brinquedo e jogou no vaso sanitário, pedindo para um terceiro menino puxar a descarga. Até aí, coisa de criança sapeca.

Quando os pais do menino foram buscá-lo na escola, ele estava chorando. Os pais foram verificar o ocorrido e perceberam que a escola já havia tomado as devidas providências, porém, durante o dia, percebeu-se a indignação do menino. À noite, a dificuldade de adormecer. Na manhã seguinte, a vontade de ir para a escola seguia dormindo enquanto o menino já estava acordado. Por quê? Não era por causa do brinquedo (valor material), mas, sim, por medo dos meninos que fizeram aquilo e, também, pelo sentimento de injustiça. Ao longo do dia, os pais dos outros meninos souberam do ocorrido e tomaram as devidas providências, conversando com seus filhos, sem “passar a mão na cabeça” e sem “menosprezar” o acontecido.

O brinquedo que foi pelo ralo é o que menos importa em situações do gênero. O que importa são os valores que são passados aos nossos filhos. O que é certo, é certo, assim como o que é errado, é errado, independentemente do tamanho do amor que sentimos pelos nossos filhos. Transmitir valores é o melhor que um pai e uma mãe podem fazer aos seus filhos. Se acharmos isso irrelevante hoje, amanhã ou depois podemos ter que conviver com as consequências dessa má criação.

A fase da adolescência é ainda mais desafiadora, pois o jovem, por vezes, despreza o amor de quem verdadeiramente os ama, que são os pais, para obter o amor de quem, por vezes, os despreza, que são os amigos da “modinha”. É por isso que a demonstração do amor jamais pode corromper nossos valores. O mesmo acontece em todos os nossos relacionamentos. Quando perdemos o senso do que é certo em função de um amor platônico, nos tornamos suscetíveis a falhas que podem comprometer nosso futuro. Podemos, inclusive, nos tornar cúmplices de alguns deslizes irresponsáveis.

Quando agirmos em defesa do que (ou quem) amamos, devemos usar os valores como balizador e tomar decisões mais sábias e maduras. Forte abraço e até a vitória, sempre. (IG:@gustavobozetti)

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