“Quando o risco e o benefício ficam muito próximos, tu fica em dúvida”, afirma pediatra sobre vacinação em adolescentes sem comorbidades

Apesar da linha tênue entre risco e benefício, o médico João Paulo Weiand recomenda a imunização contra a covid-19. Ele pondera, no entanto, que a decisão deve ser da família


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Médico pediatra João Paulo Weiand em entrevista ao programa Panorama (Foto: Rodrigo Gallas)

A vacinação contra a covid-19 para adolescentes, sem comorbidades, tem gerado divergências entre empresas farmacêuticas, órgãos governamentais e médicos. O governo do Rio Grande do Sul decidiu nesta terça-feira (21) que distribuirá doses de Pfizer para avançar a imunização de adolescentes. No mesmo dia, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski autorizou os estados a vacinar adolescentes contra covid-19.

Na região, como exemplo, Lajeado não está vacinando este público, já Estrela, vacinará a partir do próximo sábado (25).

Conforme o médico pediatra João Paulo Weiand, a polêmica existe porque o risco dos adolescentes desenvolverem a forma grave da covid-19, ou até o risco de morte, é extremamente baixo — de 0,080%. “O ideal é que o risco fosse zero, mas isso não existe em nenhuma doença.”

Weiand explica que a balança fica equilibrada ao comparar a proteção da vacina, aos adolescentes, com o risco. “Sempre quando tu vai lançar um medicamento, tu vai pesar o risco e o benefício. Quando o risco e o benefício ficam muito próximos, tu em dúvida se realmente vale a pena seguir o tratamento.”

“A Pfizer diz que é seguro, mas ela é uma empresa farmacêutica, tem seu interesse por trás.” O médico pediatra informa que, há duas semanas, foi divulgado que os laboratórios estavam iniciando os testes em nível três, quando a pesquisa ocorre com a população. “Ter uma resposta em duas semanas, fica um dúvida bastante grande”, indaga.

A recomendação de Weiand

A recomendação é que sejam vacinado os adolescentes de 12 a 17 anos que possuam comorbidades. “Nós, na pediatria, precisamos pesquisar sobre o assunto e seguir as recomendações dos nossos colegiados, como a Sociedade Brasileira de Pediatria e a Sociedade Brasileira de imunizações.”

A opinião destas entidades, divulgada nesta terça-feira (21), é que se faça a vacina. “Eles colocam uma certa ressalva, ao sugerir que, primeiro, se complete o esquema de vacinação de toda a população adulta e de todo o grupo de risco da pediatria.”

Para Weiand, quanto mais próximo do grupo de risco o adolescente estiver, maior é a indicação para a vacina devido a possibilidade de transmissão ao grupo de convívio. “Não se pode obrigar fazer esta vacina. Fica livre para as famílias decidirem. Quanto mais embasamento científico a gente tiver, maior será a recomendação pela vacina.”

 Assista à entrevista

Texto: Rodrigo Gallas
web@indepenente.com.br

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