Quem ama quer estar no desejo da outra pessoa

Se tudo está no modo “tanto faz” pode ser que a relação já tenha cumprido com a sua função na vida do casal, analisa Dirce Becker Delwing


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Vou dar uma palestra hoje à tarde numa empresa aqui da nossa cidade. Faz parte de um projeto de trabalho que tenho com a Banda Rosa´s e que se constitui numa palestra-show que mistura música com reflexões. Já repetimos o evento diversas vezes. Começamos on-line e, com a volta das atividades públicas, passamos a desenvolver a programação de forma presencial. Mesmo que o roteiro do show seja semelhante em todas as ocasiões, sempre é necessário fazer adequações considerando o retorno dos participantes na hora da apresentação.

Até agora, sempre lidei bem com isso. Contudo, estaria mentindo se dissesse que nunca senti um frio na barriga antes de estar diante da plateia. Também já tremi por dentro com receio de ter um branco na hora. Por conta disso, no começo, tinha um vasto material de apoio impresso. Na pior das hipóteses, iria ler as minhas falas. Com o passar do tempo, fui criando segurança a ponto de nem olhar mais as anotações, assim como o frio na barriga se tornou mais raro e sou capaz de improvisar se algo sai diferente do que foi combinado com a banda.

Por que é que então hoje estou um pouco mais preocupada com o meu desempenho? O que estaria dentro da preocupação de querer me sair bem? Analisei várias possibilidades e me dei conta de que o fato de meu esposo estar na plateia é o que me desacomoda. Logo ele que sempre apoiou todas as minhas iniciativas e projetos. Justo ele que seria o primeiro a me salvar ou a me defender. O que desejo com a minha boa performance diante dele e dos seus colegas de trabalho?

Penso em muitas possibilidades, mas a que me aparece de forma mais plausível é de que, quando amamos uma pessoa, nos importamos com o que ela pensa sobre nós. Quando desejamos o amor da outra pessoa, ou a manutenção do seu afeto, caprichamos diante dela ou quando estamos com ela. Se temos expectativas acerca do que o outro pensa sobre nós, se queremos admirar e ser admirados, o relacionamento tem pano pra manga, ou café no bule como se diz. Agora, se tudo isso está no modo “tanto faz” pode ser que a relação já tenha cumprido com a sua função na vida do casal. Em síntese, um sinal de que o afeto acabou ou mudou de sentido é quando não nos importamos mais com o que o outro pensa sobre nós, quando não sentimos mais desejo de conquistar, de mostrar quem somos, ou de nos exibir, especialmente diante daquelas características que o outro nem sempre é capaz de ver no dia a dia.


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