Quem educa precisa corrigir sem ofender e orientar sem humilhar

Nem sempre é prudente e educado dizer tudo o que você pensa


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Foto: Reprodução / shutterstock

Vemos com mais nitidez o que funciona mal na casa do vizinho do que na nossa. Olhar de fora e analisar com certa distância nos permite ter uma visão mais clara daquilo que poderia ser diferente. Contudo, isso não indica que a gente deva confeccionar um laudo detalhado da vida alheia. Vale para o nosso cotidiano nas mais diversas situações. Nem sempre é prudente e educado dizer tudo o que você pensa.

O filósofo Mario Sérgio Cortella aborda o tema no livro Educação, Convivência e Ética: Audácia e Esperança, onde pontua que, numa convivência, dizer tudo o que se pensa é ofensivo. O autor coloca que uma pessoa autêntica não é aquela que é transparente o tempo todo. Se ela não tiver percepção de contexto, ela se torna inconveniente. Talvez ela vai dizer: “Mas é assim que eu penso”. O fato de pensar assim não exime a pessoa de ser moderada. Não posso desconsiderar que outros existem. É preciso cautela, em nome da autenticidade, para não ser ofensivo.

O filósofo alerta ainda que este cuidado deve permear as relações entre pais e filhos. Se um filho ou uma filha traz um desenho precário, mas que, naquela circunstância, naquela idade, naquele modo, é o melhor que a criança poderia fazer, é preciso elogiar em alto estilo. É sinal de afeto imenso. Mas, se o desenho apresentado é resultado de um desleixo, não se deve elogiar. Eu posso dizer a clássica fase de quem educa: “Você é capaz de fazer melhor do que isso que está me mostrando”. Isso é educação. Nas palavras de Cortella, nesse caso, crueldade seria dizer “Isso é péssimo”.

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