Quem olha para o sofrimento psíquico dos trabalhadores?

"Independentemente do cargo que se ocupa e do tipo de atividade, o sofrimento acompanha todos os trabalhadores, pelo menos em algum momento", comenta a jornalista e psicóloga Tamara Bischoff,


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Foto: Ilustrativa / Pexels

O mês de setembro no Brasil é marcado pela campanha de prevenção ao suicídio. O problema, que é a segunda causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos, em geral está associado a um importante sofrimento psíquico prévio.

E é para isto que quero chamar a atenção: para aquela espécie de morte em vida, de quem sofre, muitas vezes calado, com vergonha ou medo. Talvez era a um sentimento assim que se referiu Fernando Pessoa quando escreveu: “Para ser defunto, só me faltava morrer”.

Trazendo a temática para a área do trabalho, sabemos que, independentemente do cargo que se ocupa e do tipo de atividade, o sofrimento acompanha todos os trabalhadores, pelo menos em algum momento. E quem está olhando para isso? Será que estamos atentos a esse aspecto do mundo dos negócios?

Tamara Bischoff, jornalista e psicóloga

Podemos pensar em situações bem cotidianas da vida de todos nós que, quando ocorrem, trazem alguma consequência relevante ao nosso dia a dia no trabalho: uma doença, a morte de um familiar, uma separação conjugal, um problema financeiro e até mesmo um acontecimento geralmente feliz, como o nascimento de um filho. São situações que mexem com o psiquismo de qualquer um, mas nem todos reagem da mesma forma. Aquilo que para uns será um choque passageiro, para outros pode gerar um impacto devastador.

Eu já observei isso muito de perto em lugares onde trabalhei, e é algo que sempre me sensibilizou. Pense comigo: será que o funcionário da empresa está em condições de voltar para sua função após aqueles dias de licença estabelecidos pela lei? Tem alguém dentro da empresa atento a isso?

Conforme pesquisas recentes, pelo menos metade dos líderes já se preocupa com a saúde mental de seus funcionários, pois entende os impactos disso no negócio. Existe inclusive uma expressão que vai se incorporando aos poucos ao mundo organizacional, a sustentabilidade emocional, que não é a mesma coisa que estabilidade, ou seja, não podemos exigir que momentos traumáticos não nos afetem e nos tirem do prumo em algum momento.

A ideia é que encontremos estratégias, em nós e ao nosso redor, para lidar com os altos e baixos do nosso dia a dia. Assim, se tivermos recursos psíquicos e apoio suficientes, podemos seguir apostando na vida, apesar dos pesares, e deixando não apenas nosso setembro mais amarelo, mas todos os meses do ano.

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