Raiva, morcegos, alerta sanitário

Confira o comentário do engenheiro agrônomo Nilo Cortez


0

Os meios de comunicação nos trazem novamente noticias de casos de raiva no RS. Neste ano já são 21 ocorrências em 17 municípios. E já movimenta os profissionais Veterinários das Inspetorias que são preparados para lidar nestas situações. Inclusive todos vacinados pelo perigo da atividade. Eles capturam os morcegos com redes adequadas, passam pasta com veneno no dorso dos morcegos e largam. Pela forma de vida deles retornam para seus esconderijos onde os outros morcegos lambem a pasta para limpar. Desta forma são eliminados. São estes profissionais que podem ajudar no controle das zoonoses. A raiva pode passar para as pessoas. No Brasil os prejuízos na pecuária passam dos 15 milhões de dólares anuais. E esta doença não tem cura.

A raiva é transmitida pelos morcegos hematófago (Desmodus rotundous) o vírus está na saliva que ele transmite ao sugar sangue dos animais, e se desloca para o sistema nervoso. Há uma outra variante de morcego insetívoro (Tadarida brasiliensis) que também apresentou o vírus. São de hábito noturno e durante o dia precisam de lugares escuros e aquecidos para se proteger. Quanto ataca os bovinos os sintomas podem aparecer em cerca de 10 dias ou em até 3 meses.

Os sinais mais comuns nos bovinos são mugidos rouco, andar cambaleante, paralisia dos membros posteriores e presença de espuma na saliva. Procure imediatamente o Veterinário ele é o profissional indicado para diagnosticar a doença. Acontece mais raramente em cavalos e suínos. Também cachorros e gatos podem transmitir raiva se tiverem contaminados e morderem outros animais ou pessoas. Estes animais domésticos são os principais agentes de transmissão para as pessoas.

Se acontecer um acidente não mate o animal, isole e chame o veterinário. O animal deve ser observado vivo pelo menos por 10 dias. Por isso da necessidade de vacinação dos cães, gatos e bovinos. Não têm aparecido casos, o último foi em 1988. Mesmo assim cerca de 30.000 casos de agressões de animais 80% de cães são registrados por ano. Daí a importância de vacinar cães e gatos.

A destruição ambiental das florestas, alterações climáticas têm mudado hábitos destes morcegos aproximando-os cada vez mais das propriedades rurais. Inclusive outros morcegos (insetívoros e frutívoros) que não transmite a raiva. Das 165 espécies relatadas no Brasil 36 delas já foram identificados vírus (depositório) da raiva.

Precisamos estar atentos aos locais de preferências deles: cavernas, pedreiras, furnas, forno de fumo, casas abandonadas, troncos ocos etc e avisar imediatamente na Inspetoria caso tenham suspeitas que seja o hematófago.

 

As pessoas podem se contaminar em contato com a saliva de animais raivosos ou em seus ferimentos e isto vale para bovinos, equinos, suínos e cães e gatos. Se for lidar com um destes animais suspeitos da doença use “EPI” luvas, óculos e bota de borracha, isole o animal e chame o Veterinário. Mas se alguém entrou em contato, por descuido, precisa procurar socorro e se vacinar contra a raiva. Se alguém tomou leite de um bovino doente não se preocupe não é por aí que transmite.

Lembre-se: Vacinação dos animais é importantíssima e o custo é perto de “UM Real” a dose. Não é obrigatório, mas, é recomendável. Casos de raiva são de notificação obrigatória isto ajuda no controle e é papel do bom produtor.

Avisar nas Inspetorias (veterinário) os locais onde os morcegos estão se escondendo.
Acompanhar o rebanho diariamente, observar qualquer anormalidade.

Se entrar em contato com animal doente lavar as mãos com água e sabão e procurar médico.

Se for mordido não matar o animal e sim isolar ou mesmo se ele morreu, chamar o Veterinário. Pergunte ao dono se o animal foi vacinado. (Cães e gatos).

DICAS: Validas para todos os morcegos. Os que normalmente aparecem nas áreas urbanas são insetívoros e frutívoros. Mas suas fezes são transmissoras de doenças pulmonares graves é preciso ter cuidado.

– Vedar frestas maiores de 1,5 centímetros, principalmente em locais escuros.
– Em sótãos, celeiros, canil, galpões, pode ser colocado telhas transparentes que permitem a entrada de luz. Eles vão embora.
– Aberturas em porões, alçapões, cisternas ou no telhado para ventilação devem ter telas com malha de 1 centímetro.
– Evite forros de PVC e madeira prefira chapas de concreto.
– Se já estão instalados no forro, coloque luz fluorescente e acenda quando eles saírem na noite e não apague. Na volta eles ficaram desorientados e com o tempo vão embora.
– Uso de “móbile” de pedras, sinos, latas ficam fazendo barulho com o vento e desorientam a comunicação dos morcegos, Apesar do barulho é uma alternativa, mas com pouco efeito dependem da movimentação.
– Há no comércio aparelhos eletrônicos que espantam com sons que nós não conseguimos ouvir. O negocio é testar.
-Em caso de limpeza das fezes use “EPI” mascara e luva lembra que elas transmitem doenças.

DEIXE UMA RESPOSTA

Digite seu comentário!
Por favor, coloque o seu nome aqui