Raúl Castro se aposenta; saiba cinco fatos sobre o congresso do Partido Comunista de Cuba

Os irmãos Castro estiveram no poder durante mais de seis décadas em Cuba. Com a aposentadoria de Raúl, é o fim de uma era


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Imagem de rua de Havana em 12 de abril de 2021 (Foto: Alexandre Meneghini/Reuters)

O congresso do Partido Comunista cubano, que começa nesta sexta-feira (16), encerrará mais de seis décadas de governo dos irmãos Fidel e Raúl Castro em Cuba.

Fidel morreu em 2016. Seu irmão, Raúl, ficou na presidência até 2019. No entanto, ele seguiu no cargo de primeiro-secretário do Partido Comunista, o cargo que acumula mais poder, até agora.

Centenas de delegados do partido único se reunirão a partir desta sexta-feira durante quatro dias no Palacio de las Convenciones de Havana para debater as questões centrais do país.

Esse encontro acontece 60 anos após Fidel Castro ter proclamado que a revolução na ilha tinha caráter socialista.

O evento será parcialmente transmitido pela televisão.

Substituto dos Castro

A nomeação de Díaz-Canel como novo primeiro-secretário, cargo mais importante de Cuba, poderá ocorrer em sua última sessão, na segunda-feira.

Aposentadoria em massa

Além de Raúl Castro, grandes nomes da geração histórica, aquela que fez a revolução de 1959, devem se aposentar, entre eles o número dois do Partido, José Ramón Machado Ventura, de 90 anos, e o comandante Ramiro Valdés, de 88.

Nas ruas de Havana, sem turistas devido à pandemia, os cubanos parecem mais preocupados com a escassez de alimentos, as longas filas nos supermercados e a espiral inflacionária desencadeada pela recente unificação das duas moedas que o país tinha.

Veja cinco fatos sobre o Congresso do Partido Comunista de Cuba

1 – Partida de Raúl Castro

Três anos depois de deixar a Presidência, Raúl Castro, de 89 anos, vai entregar o cargo de primeiro-secretário do partido único ao presidente, Miguel Díaz-Canel, de 60 anos.

Ele tem como planos se aposentar para “cuidar dos seus netos” e ler livros

Isso dará a Díaz-Canel uma margem de manobra maior, já que terá “o aparato do partido nas mãos”, segundo o ex-diplomata Carlos Alzugaray.

No entanto, Raúl poderá continuar próximo do poder, como Deng Xiaoping, na China, que não ocupava nenhum cargo, mas era consultado sobre as principais questões e tinha a última palavra, diz Alzugaray.

2 – Economia em queda livre

O país vive sua pior crise econômica em 30 anos. Em 2020, o PIB caiu 11%, e a pandemia de coronavírus paralisou seu motor econômico, o turismo.

Os cubanos passam longas horas nas filas dos mercados.

“O oitavo Congresso deve se concentrar em estabelecer objetivos para a reforma”, opina o economista Ricardo Torres, da Universidade de Havana. E enfatiza que a transformação do sistema de propriedade deve ser o principal objetivo, para acelerar a abertura da economia ao setor privado.

3 – Revolução da internet

Essa é a grande mudança dos últimos anos em Cuba. A chegada da internet móvel (3G) no fim de 2018 acabou com a impressão de isolamento sentida pelos habitantes da ilha, até então uma das menos conectadas do mundo.

Como parte de sua programação, o congresso propôs que o partido seja mais eficaz contra a “subversão político-ideológica” nas redes sociais.

“A internet tem sido um facilitador para o crescimento da sociedade civil”, diz Ted Henken, sociólogo americano e autor do livro “La revolución digital en Cuba”.

4 – Biden e o desconhecido

A eleição de Joe Biden como presidente dos Estados Unidos suscitou esperanças em Cuba. Após quatro anos de fortes sanções de Donald Trump, chegou um presidente que prometeu retroceder, pelo menos parcialmente.

Três meses após sua posse, ele não disse uma palavra sobre a ilha, e seu governo continua firme em relação aos direitos humanos.

Juan González, seu assessor para a América Latina no Conselho de Segurança Nacional, acaba de afirmar que “Biden não é Barack Obama em sua política para com Cuba”.

“O momento político mudou de maneira importante, o espaço político está muito fechado, porque o governo cubano não respondeu de forma alguma”, disse ele. Gonzáles ainda denunciou a opressão contra os cubanos.

5 – A esperança de uma vacina

A detecção dos primeiros casos de coronavírus em Cuba, em março de 2020, foi uma oportunidade de demonstrar os pontos fortes de um modelo que dá grande relevância à saúde.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o país tem 82 médicos para cada 10 mil habitantes (contra 32 na França e 26 nos Estados Unidos).

A ilha, com 11,2 milhões de habitantes, registrou 88.445 casos e 487 mortes.

Sua outra aposta de desenvolver sua própria vacina também parece estar indo bem, com duas candidatas na fase três e no final dos testes clínicos.

O congresso pode ser a ocasião para anunciar o início de uma campanha de vacinação, prevista para junho.

Fonte: G1

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