Rede de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher de Estrela completa um ano de sua reativação

A Rede é um espaço para refletir e propor ações de enfrentamento à violência, bem como organizar os fluxos de atendimento.


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Capitão Engster, Patrícia Busnello e Débora Martins (Foto: Rodrigo Gallas)

A Rede de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher completa um ano de sua reativação neste mês de novembro. O assunto foi pauta no programa Panorama desta segunda-feira (23), também para lembrar o Dia Internacional de Combate à Violência Contra a Mulher, que é celebrado na próxima quarta-feira (25). A Rede é um espaço para refletir e propor ações de enfrentamento à violência, bem como organizar os fluxos de atendimento. É paralela ao Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, cuja lei de criação foi sancionada também em novembro de 2019 pelo Executivo — ambos se complementam.


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“A ideia da reestruturação da Rede foi justamente qualificar os serviços mutuamente, autocapacitar pra que as mulheres se sintam acolhidas e elas não precisem pipocar entre os serviços”, explica a advogada do Centro de Referência Especializado em Assistência Social (Creas), Patrícia Busnello. Ela destaca a iniciativa “ônibus lilás”, que teve como roteiro principal a área rural, levando orientações e atendimentos psicossociais aos munícipes.

Conforme o coordenador da Patrulha da Maria da Penha do 40º BPM, Capitão Engster, que atende os municípios de Estrela, Colinas, Fazenda Vilanova e Bom Retiro do Sul, a Patrulha especializada ao atendimento às mulheres funciona desde 1º de abril de 2020. As vítimas acompanhadas são aquelas em que o mandado judicial vai dizer que há necessidade de visitas. “Em alguns dias da semana, policiais capacitados para este serviço, vão até as casas destas mulheres.”

Já as denúncias de Maria da Penha são atendidas 24h por dia pela BM, independente do policial — se é capacitado, ou não. É o atendimento imediato. Segundo Engster, houve um “pequeno” aumento no número de ocorrências devido à pandemia de coronavírus.

Na região, houve um feminicídio neste ano, que foi registrado em Bom Retiro do Sul. “A vítima não tinha registros de violência doméstica, não tinha medidas protetivas de urgência e não era acompanhada pela Patrulha Maria da Penha. Foi um caso isolado,” explica.

A enfermeira do Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e vereadora de Estrela, Débora Martins (MDB) complementa dizendo que a Rede tem o papel de conscientizar as mulheres a denunciarem os agressores. Quando a Patrulha Maria da Penha entra em ação é porque a violência física já foi consumada. Segundo Débora, a violência contra a mulher passa primeiramente por questões morais, sexuais e psicológicas.

Em paralelo ao trabalho da Patrulha Maria da Penha, há a atuação do Creas que faz o trabalho de assistência psicológica, social e jurídico. “Como acontece com a Patrulha, todas as mulheres que recebem medidas protetivas são encaminhadas para uma acolhida no Creas.”

Ainda fazem parte da Rede o Ministério Público, Defensoria Pública, Poder Judiciário, Delegacia de Polícia, Brigada Militar com a Patrulha Maria da Penha, o Creas e o Setor do Trabalho da Sedesth. Em comemoração ao primeiro ano da reativação, a Rede realizará algumas ações pontuais. Eventos não serão possíveis de realizar devido à pandemia.

Texto: Rodrigo Gallas
web@independente.com.br

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