‘Reduflação’: entenda o que está acontecendo com o tamanho das embalagens

Engenheiro agrônomo Nilo Cortez fala sobre o processo em que os produtos diminuem de tamanho ou quantidade enquanto seu preço se mantem igual ou aumenta


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Foto: Divulgação

As notícias trazem informações de inflação no mundo inteiro, não só no Brasil. Também de problemas de alimentos e no abastecimento do mercado consumidor seja ele interno ou externo. Com a tal de globalização qualquer “coisinha” serve para alterar preços e termina sobrando para o consumidor. E na maior parte aos de menor poder de compra.

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Basta um navio trancar no Canal de Suez para alterar a circulação de mercadoria no mundo inteiro. Problemas climáticos em regiões produtoras nem se fala. A pandemia continua repercutindo na demanda de alimentos. A guerra Rússia e Ucrânia alterou em muito o mercado de grãos e insumos básicos para a produção. A falta de contêineres abalou o transporte de qualquer mercadoria embarcada. Poderia citarmos vários outros exemplos.

O planeta está chegando, se já não passou, no seu limite do balanço de produção e consumo de alimentos. Ou mudamos de atitude no lidar com a terra e consumo ou pagaremos mais caro ainda para permanecermos nela. Ou será que vem nova Ordem Mundial?

Estranho quando olhamos as estatísticas que a cada ano batemos o recorde de produção dos principais alimentos consumidos. O Brasil não é diferente. Nos grãos e proteínas (carnes aves, suínos e gado, ovos etc.) estamos nos superando a cada ano, mesmo com alguns reveses climático. O tamanho e as condições naturais de produção e climas diferentes de nosso País vêm compensando de certa forma as quebras sentidas.
Os estoques dos principais alimentos no final de 2021 chegaram 36,7 milhões de toneladas (IBGE) 31,1% maior que a safra anterior. O RS o que teve a quebra mais significativa por problemas climáticos (41,1%) com participação de apenas 7,8% na produção de grãos no país. Não estamos incluindo outros importantes produtos como frutas, hortaliças, e carnes que também estamos nos superando a cada ano.

Estranho que outras manchetes dizem que temos 33 milhões de pessoas na “insegurança alimentar”, falta de algum alimento importante ou a incerteza de conseguir o que precisa e outros simplesmente passando fome. Por outro lado, o “Inquérito Nacional sobre Segurança Alimentar “diz que 41% da população teria acesso estável em quantidade e qualidade adequadas a alimentação. Se colocarmos ainda o que perdemos e ou desperdiçamos que seria próximo 33% de quase tudo que produzimos da colheita até chegar no prato. Se torna cada vez mais preocupante ou esta conta não fecha.

Os dados de Lajeado dizem que 5322 pessoas estão na linha da pobreza vivendo com menos de R$210,00 por mês, sete reais por dia. É somos considerados produtivos, com bom IDH e participativos. E se preciso atendemos os apelos de ajuda nas campanhas das diversas entidades do município. Me parece que isto não fecha.

A inflação nominal passando os 11% ao ano, dólar a R$5,00, importação e elevação de preços de insumos de produção, não espelham esta realidade. Tudo que se precisa para comer e ou viver subiu mais do que inflação. Que conta é esta? Em resumo precisamos aumentar e proporcionar o aumento de renda da população, principalmente as mais carentes, para que tenham acesso ao básico que precisa para viver. Desafio aos novos governantes.

REDUFLAÇÃO: Em economia é o processo em que os produtos diminuem de tamanho ou quantidade enquanto seu preço se mantem igual ou aumenta.
Na verdade, é uma “ilusão intencional” que afeta o consumidor que não se dá conta que está pagando mais.

A saída não é por aí.

Por Nilo Cortez

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