Régua com sinalização das cheias do Rio Taquari é instalada no prédio da Acil

Dispositivo afixado na parede lateral externa, junto à calçada, pela Avenida Benjamin Constant, foi inaugurado na manhã desta sexta-feira (21).


0
A estrutura foi inaugurada na manhã desta sexta-feira (Foto: Gabriela Hautrive)

Como forma de registrar, eternizar, educar e alertar para os próximos acontecimentos, uma régua com marcações das quatro últimas grandes enchentes que atingiram Lajeado e região, desde 1941, incluindo a cheia de julho de 2020, a maior em 64 anos, quando o nível do Rio Taquari alcançou a marca de 27,39m no Porto de Estrela, foi afixada na parede do prédio da Associação Comercial e Industrial de Lajeado (Acil), junto à calçada, pela Avenida Benjamin Constant, no Centro do município. A estrutura foi inaugurada na manhã desta sexta-feira (21).


OUÇA A REPORTAGEM


Presidente da Acil, Cristian Rota Bergesch (Foto: Gabriela Hautrive)

Conforme o presidente da Acil, Cristian Rota Bergesch, a iniciativa é um marco educativo para a cidade. “Nosso propósito com isso é a questão de educação. Para população saber até onde a água chega e pensar em seus investimentos, em aluguéis de casas, construção de uma empresa, de uma loja comercial, que ela tenha isso e possa visualizar”, relata. Bergesch ressalta que, o problema de saber até onde a água vai chegar ainda dependente de um projeto inteiro de monitoramento pluviométrico de todo o Vale do Taquari.

“A régua é um marco, um símbolo para que isso aconteça. Estamos prestando dando atenção ao problema”, destaca o presidente. Ele ainda acrescenta que o papel da Acil é reforçar a iniciativa de instalação das réguas pela prefeitura, pois a região onde se localiza a entidade é suscetível às cheias e local de grande trânsito de pessoas. O projeto de instalação do equipamento foi desenvolvido pelos professores da Univates Sofia Royer Moraes, engenheira ambiental, e Rafael Eckhardt, biólogo.

Professora da Univates e engenheira ambiental, Sofia Royer Moraes (Foto: Gabriela Hautrive)

Durante a cerimônia de inauguração, a engenheira Sofia Royer Moraes explicou como foi feito o estudo, a partir de dados técnicos e imagens registradas em enchentes anteriores. “Se começou a entender como era o risco, o perigo de estar naquelas regiões, e então começamos a monitorar, tanto o nível como a vasão do rio. Depois da cheia de 1941, temos muitos dados e essas informações são muito importantes, pois começamos acompanhar picos máximos e compreender o comportamento da inundação.” O projeto arquitetônico da régua foi realizado pela arquiteta Kátia Eckert, da Planus Arquitetura e Urbanismo.

Dados históricos

O município de Lajeado, inserido na Bacia Hidrográfica do Taquari Antas, de tempos em tempos sofre com a dinâmica natural do Rio Taquari, pelas suas eventuais inundações. Antropização do município se deu nas proximidades do Rio Taquari, principalmente pela garantia de subsistência e meio de transporte da época, conforme informações da engenheira ambiental responsável pelo desenvolvimento da régua.

Há registros fotográficos de inundações em Lajeado, que datam do final do século XIX. Segundo Sofia, foi uma época de constante imigração europeia e estabelecimento de novas comunidades, cidades e regiões. As inundações excepcionais do Rio Taquari que se conhecem hoje, por meio de registros consolidados, datam das décadas de 40 e 50 do século passado. Inundações anteriores a essas, estão sendo estudadas.

Proposta da ACIL

Com base na cheia de 9 de julho de 2020, cujo altura máxima da inundação chegou a 27,39 m (com base no referencial do Porto Fluvial de Estrela, pela régua linimétrica da CPRM) foi registrado este nível e, se propõe o registro para a garantia de memória. A iniciativa inclui, delimitar marcas maiores, como a cheia de 41 e a de 56, por meio de uma régua a ser projetada pelos arquitetos sócios da ACIL.

Cheias sinalizadas na régua

• 06/05/1941 – 29,92 m
• 06/04/1956 – 28,86 m
• 27/01/1946 – 27,40 m
• 09/07/2020 – 27,39 m

Texto: Gabriela Hautrive
producao@independente.com.br

DEIXE UMA RESPOSTA

Digite seu comentário!
Por favor, coloque o seu nome aqui