Reino Unido e União Europeia fecham acordo, e Brexit chega ao fim depois de 4 anos

"O acordo está feito. Tudo que foi prometido aos britânicos no referendo de 2016 e na eleição do ano passado está entregue por este acordo", diz o gabinete do primeiro-ministro Boris Johnson.


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Foto: Ilustrativa

Depois de meses de negociações entre suas cúpulas, o governo do Reino Unido e a União Europeia (UE) enfim fecharam um acordo comercial para regular como será a relação entre eles a partir do ano que vem, o último passo que faltava para selar a separação entre Londres e Bruxelas. O divórcio que monopolizou a política europeia desde junho de 2016 termina, assim, de maneira feliz, com os dois lados como amigos em vez de rivais.

O anúncio oficial do acerto foi comunicado pelo gabinete do primeiro-ministro britânico, Boris Johnson. “O acordo está feito. Tudo que foi prometido aos britânicos no referendo de 2016 e na eleição do ano passado está entregue por este acordo”, diz o texto. “Retomamos o controle de nosso dinheiro, nossas fronteiras, leis, comércio e águas de pesca.”

Boris Johnson, premiê britâncio, postou em seu Twitter esta foto com a legenda “Está feito” (Foto: Reprodução)

A notícia chega quando o país enfrenta um lockdown na região de Londres motivado pela descoberta de uma nova mutação do coronavírus em seu território. Os britânicos temiam que a falta de um acordo comercial jogasse o Reino Unido no caos no início de 2021, aumentando a crise econômica e levando a um cenário de desabastecimento generalizado, já que boa parte dos produtos e matérias-primas chegam através dos membros da UE.

Como as duas economias são interdependentes após décadas de integração —quase metade do comércio exterior britânico é com o bloco europeu—, esse cenário causaria problemas para os dois lados.

Estudos apontam, por exemplo, que o Reino Unido poderia ficar sem diversos produtos no caso de não haver um acordo, incluindo flores, verduras, legumes, material para construção e até sêmen para inseminação artificial.

Foi para impedir isso que Boris Johnson e a alemã Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia (o braço executivo do bloco), aceleraram as negociações nos últimos dias e passaram a conversar diariamente por telefone.

Escaldados pelos inúmeros atrasos do brexit, porém, muitos britânicos ainda desconfiavam da possibilidade que o assunto fosse resolvido a tempo. O clima só começou a mudar mesmo na manhã de quarta (23), quando surgiram as primeiras notícias de que um acordo estava próximo.

De fato, o fim da saga foi tão surpreendente que representantes europeus chegaram a atribuir o acordo ao alinhamento das estrelas. Diplomatas também afirmaram que passaram as últimas horas com os dedos cruzados à espera dessa espécie de milagre de Natal. Até a tradicionalmente sisuda BBC deixou a seriedade britânica de lado e aconselhou seus jornalistas que cobrem o assunto a tomarem vinho.

Oficialmente, o Reino Unido deixou a União Europeia no dia 31 de janeiro, mas a data na realidade foi apenas o início do processo de separação. Desde então, teve início uma etapa de transição, na qual Londres se comprometeu a seguir respeitando a legislação europeia.

Esse período vai exatamente até o final do ano, e a ideia desde o início era que os dois lados usassem esses 11 meses para negociar um acordo definitivo.

Caso nada fosse fechado antes de 1º de janeiro, a relação entre europeus e britânicos passaria a ser regida por tratados internacionais e pela regras da Organização Mundial do Comércio (OMC), que são mais restritivas.

Em outras palavras, a relação dos dois passaria a ser semelhante à que o Brasil tem hoje com os britânicos. Isso significa que Bruxelas e Londres elevariam seus tributos para importações e exportações e criariam uma série de barreiras alfandegárias e fronteiriças.

O acordo com mais de 2.000 páginas agora ainda precisa ser aprovado pelos Parlamentos dos dois lados e depois confirmado pelos líderes dos 27 países que integram o bloco. Isso tudo deve acontecer até o próximo dia 31 para que o tratado comece a valer em 1º de janeiro. Como não haverá tempo hábil para isso, a tendência é que o documento seja aprovado apenas pelo Legislativo britânico na próxima quarta (30) e pelo Executivo de cada um dos países do bloco antes do fim do ano.

Assim, o acordo entraria em vigor de maneira provisória em 1º de janeiro, esperando a aprovação definitiva no Parlamento europeu, que deve ocorrer ainda no início.

Fonte: Folha de S. Paulo

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