Se critérios não fossem revisados, regiões que testam mais seriam punidas, admite secretária do Planejamento do RS

Leany Lemos descreve que, dos 11 critérios estabelecidos, sete cuidam da propagação do vírus e quatro da capacidade de atendimento hospitalar.


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Foto: Carolina Grewe / Arquivo / Divulgação

A secretária do Planejamento do RS, Leany Lemos, coordena junto com a secretária Arita Bergman (Saúde) a elaboração do modelo de Distanciamento Social do RS. Em entrevista ao programa Rádio Repórter nesta quarta-feira (20), ela falou sobre ajustes nos critérios de classificação das bandeiras de risco para o coronavírus (amarela, laranja, vermelha e preta). Como anunciou o governador Eduardo Leite (PSDB) nesta quarta, o estado contabilizará apenas casos hospitalizados para definir bandeiras.


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De acordo com Leany, o ajuste foi uma demanda especialmente de prefeitos do Vale do Taquari, única região a ficar em bandeira vermelha na primeira semana em vigor das classificações de risco. As sugestões de revisão foram recebidas por técnicos e pesquisadores das secretarias de Planejamento e Saúde, além de universidades e centros de pesquisa que assessoram o governo do Estado na crise sanitária do coronavírus.

“Se a gente continuasse com os critérios antigos, estaríamos punindo as regiões que estavam testando mais”, admite a secretária do Planejamento. Essa era uma das reclamações de Lajeado e região, que conta com alto número de testes realizados pelas prefeituras, hospitais, Univates e laboratórios privados. “A região de Lajeado tem mais casos também por um número maior de testes que estava fazendo”, reconhece Leany.

Conforme a secretária, são 11 critérios utilizados pelo governo do Estado para a composição das bandeiras de risco. Para aplicar as restrições, o Rio Grande do Sul foi dividido em 20 regiões. A região de Lajeado, que ficou vermelha na primeira divulgação, agora está em laranja, e Uruguaiana, que estava em amarelo, foi rebaixada para laranja.

Dos 11 indicadores, sete medem a propagação do vírus e quatro indicadores cuidam da capacidade do sistema de saúde, com leitos para tratar pacientes com Covid-19.

“Se os prefeitos aumentarem o número de leitos, isso é ótimo: aumenta a capacidade de saúde, faz com que a população tenha mais segurança, se mais gente adoecer”, destaca a secretária. “Agora, mesmo que os prefeitos aumentem os leitos e haja um pico da propagação, um contágio muito rápido, aqueles leitos serão insuficientes”, diz ao falar que, dessa forma, a região corre o risco de ser classificada como alto risco.

“Temos que controlar dos dois lados: cuidar do sistema de saúde, da capacidade de atendimento, e observar como está a velocidade de contágio entre as pessoas.”

Texto: Tiago Silva
web@independente.com.br

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