Sem pragas e doenças

O engenheiro Nilo Cortez volta a falar sobre o mistério das sementes que estão sendo enviadas para diversos locais do país, inclusive para o Vale.


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Com a pandemia estamos reaprendendo a ter cuidado com a higiene para não termos problemas do vírus Covid-19. Com animais e plantas é semelhante, precisamos respeitar certas normas de “higiene” para não trazer para a propriedade pragas e doenças.
Estima-se que 65% dos patógenos (agente causador de doenças) que entraram no Brasil houve participação das pessoas. Ora transportando de alguma forma sementes, mudas, ou, trazendo com máquinas e equipamentos principalmente quando se faz trabalhos fora.

Permitindo entrada de animais e ou levando animais para reprodução sem as condições sanitárias, vacinações não em dia etc… Uso de ferramentas que circularam por outras propriedades. E aqui um alerta especial para quem trabalha com estufas; ferramentas que são usadas ali não devem ser usadas fora e em outra estufa. É preciso esterilizar estas ferramentas. Mais complicado controlar são as que vem com vento, pássaros e visitas. Inclusive visitas em locais de criação ou estufas devem ser muito restritas. Precisa de pé-de-luvio, ou troca de roupa, há casos de banho etc…

A EMBRAPA tem trabalhos interessantes sobre este tema (“Pragas Quarentenárias”), que são todos organismos animal ou vegetal que estão em outros países ou região, mesmo sobre controle, e são ameaça agrícola ao nosso país ou outra região. E a estimativa que de 1890 até 2014 foram introduzidas cerca de duas mil novas pragas agrícolas entre doenças (vírus, bactérias e fungos), insetos, ácaros e plantas daninhas no Brasil.

Alguns hábitos precisam ser mudados como o de levar plantas, sementes e mudas como presente se não tiver certeza que não estão levando algum problema junto. Ou ao contrario parar por aí e trazer para dentro de sua propriedade plantas e animais. Plantas precisam ter certificado e ou de viveiros fiscalizados. Animais da mesma forma com atestado veterinário e devidas vacinações. Oriundos de criações reconhecidas e fiscalizadas.

O exemplo da soja, nossa campeã de exportação, em cerca de vinte anos depois da entrada da ferrugem asiática já deixou um prejuízo de 150 bilhões de reais no seu cultivo. Como entrou a ferrugem? Com sementes contrabandeadas via fronteiras e variedades que não tinham por aqui. Em agosto de 2020 foram aprendidas 450 toneladas de sementes piratas de soja. Também 198 toneladas de aveia ucraniana usada como semente. Outro dado da ABRASEM- Associação Brasileira de Sementes e Mudas, que 35% das lavouras de aveia, 60% de arroz e 75% de soja foram cultivadas com sementes não certificadas. (Safra 2015/2016).

Entre tantos outros casos ficaram bem marcados: a entrada das abelhas africanas que foi introduzida para melhorar e se tornou problema. A rã touro que entrou para produção de carne, fugiu e tomou conta de açudes como predadora. Vinda da mosquinha branca que ataca as hortaliças e outras plantas. O plantio do capim annoni e a braquiária viraram invasoras. Peste suína africana já causou grandes prejuízos. Tartaruguinha tigre (Pequena verdinha) natural do RS foi vendida por todo país. Cruzou com a tartaruga americana dos EUA e se tornou maior e soltaram por aí. Virou competidora com as nativas expulsando-as dos seus habitats.

Aqui no nosso Vale a tiririca é da região baixa, das várzeas do Taquari. Como foram parar nos morros, parte alta do Vale? Com o transporte de areia para construções e cemitério. Lá não foi controlada e se expandiu, quase sempre com maquinas.

Volto a falar sobre as sementes que estão enviando e não sabemos o que é e qual a intenção. Se estão enviando vírus, bactérias, fungos ou simplesmente novas plantas invasoras. Os pacotinhos não devem ser abertos e muito menos plantados. Devem ser entregues na S. Agricultura ou na EMATER para ser encaminhadas ao Ministério da Agricultura que está avaliando.

A China já disse que são piratas e não enviou. Já li também que é uma forma de comprovar o envio de correspondência de empresas e ganhar dinheiro. Vendedores enviam as sementes e depois publicam avaliações positivas falsas para se tornarem conhecidos e aumentarem vendas. Golpe publicitário. Isto também tem acontecido no Canadá, EUA e Chile. No Brasil já são 199 e no RS 19 pacotinhos conhecidos. Lajeado também já recebeu. E cá entre nós mudas de frutas, moranguinhos e hortaliças só oriundas de viveiros certificados. Sementes a mesma coisa de produtores de sementes devidamente autorizados. Não arrisque.

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