Ser maior do que o problema, eis a questão

Combater o problema é um gesto de sabedoria


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Gustavo Bozetti – Diretor da Fundação Napoleon Hill e do MasterMind RS (Foto: Arquivo)

Havia uma estrada muito movimentada que tinha uma curva perigosa onde aconteciam inúmeros acidentes, normalmente graves. As autoridades que administravam aquele trecho da rodovia resolveram tomar uma providência para resolver o problema. Em reunião gerencial, foram listadas uma série de possíveis soluções para aquele problema, até que se chegou a uma melhor solução, segundo aquele fórum de debate, que foi a de construir um hospital na curva. Assim, os atendimentos dos acidentes aconteceriam imediatamente após os acidentes, agilizando as consequências desses acidentes. O tempo passou e as autoridades não estavam satisfeitas com aquela solução, pois o número de acidentes não havia reduzido e a curva continuava sendo um local de muitos acidentes.

Então, a empresa contratou uma empresa especializada em resolução de problemas. Essa empresa chamou as pessoas que pudessem contribuir com a melhoria daquela situação. Todos os envolvidos tiveram condições de participar da construção das melhores soluções, contribuindo com ideias e com profundo engajamento. Chegou-se a um consenso de que a melhor solução seria construir um novo trajeto da rodovia que não tivesse aquela curva, porém a ação levaria mais tempo do que o esperado. Foi elaborado um novo traçado da estrada tirando aquela curva e feito um cronograma das obras.

Até que a obra ficasse pronta, uma série de ações foram executadas naquele trecho da rodovia, como, por exemplo, a instalação de controladores de velocidade, placas de sinalização no local, avisos sobre os riscos naquele trecho ao longo do trajeto, frases de conscientização alertando para o perigo e a gravidade dos acidentes, alargamento da pista, fiscalização atuante e multas para quem não cumprisse as regras no local, entre outras diversas ações. Foi assim que, antes de concluída a obra que remodelava o percurso da rodovia, o número e acidentes caiu drasticamente.

Claro que a viagem ficou um pouco mais demorada para quem passava por ali, mas os acidentes foram praticamente extintos. Essa é uma história que, guardadas as devidas proporções, se assemelha ao enfrentamento que estamos fazendo ao covid19. Falo isso pois não será apenas uma única ação que resolverá o problema. É necessário um conjunto de ações organizadas para que todos consigamos vencer essa pandemia, juntos. Enquanto as vacinas não chegam em quantidade suficiente, temos que tomar inúmeras outras providências para amenizar esse problema. Evitar aglomerações, usar máscaras em locais com risco de contaminação, higienizar as mãos constantemente, isolar quem é grupo de risco, punir quem não cumpre as normas, premiar quem as cumpre (de alguma forma), investir em campanhas de conscientização e no aumento do número de UTIs, rastrear os pontos de contágio e as pessoas contaminadas, entre uma série de outras ações.

No caso da rodovia, interditá-la eliminaria por completo a chance de acidentes, porém as consequências em outros aspectos seriam desastrosas para as pessoas que precisassem passar ali. Nesse momento, devemos deixar de lado as diferenças políticas e nos unir em torno de um só objetivo, que é vencer o inimigo comum.

Devemos fazer o que está ao nosso alcance para que os índices de combate sejam reduzidos nesse momento. Mas cabe a nós clamar para que essas ações sejam postas em prática pelas autoridades responsáveis. Caso contrário, passaremos ainda mais tempo tendo que remediar situações ao invés de trabalhar preventivamente. Aproveito para deixar aqui uma valiosa recomendação: esse aprendizado pode ser útil para o resto de nossas vidas. Forte abraço e até a vitória, sempre.

Gustavo Bozetti (@gustavobozetti), diretor da Fundação Napoleon Hill e MasterMind RS

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