Setembro amarelo e o uso de agrotóxicos

Confira o comentário do engenheiro agrônomo Nilo Cortez


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Em 2015 o “Centro de Valorização da Vida” (CVV), Conselho Federal de Medicina (CFM), e a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) estabeleceram o mês de setembro par lembrar e alertar sobre suicídio. Queria acrescentar aqui em Lajeado o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) que faz bom trabalho de ajuda e esclarecimento referente a situação.

Infelizmente este tabu de falar sobre esta situação, apesar das campanhas, ainda é escondido por muita gente. Famílias que tem problemas ainda procuram pouco a ajuda especializada. E isto se agrava no meio rural. Propriedades isoladas, muitas vezes sem vizinhos que já foram embora. Este isolamento, o duro trabalho rural, desgaste da saúde a falta de se reunirem para conversarem e o pouco divertimento pioram as coisas. Em muitas localidades o encontro mensal da missa ou culto ainda marcam talvez o único encontro. E cada vez mais restrito com o avançar da idade.

O trabalho com os grupos de jovens, grupos de agricultores e clubes de mães estão cada vez mais restritos. E ainda quem está deprimido dificilmente participa e piorou com a pandemia. A procura pelo isolamento piora tudo. A consulta com profissional especializado precisa ser encaminhada pelos familiares e ou amigos mais chegados.

Com as atividades agrícolas e falta de mão de obra, muitas vezes é preciso recorrer aos agrotóxicos para realizar algumas tarefas. Mesmo que se recomende evitar ao máximo o uso ele acontece. É a nossa realidade e em muitos casos infelizmente ele tem sido usado no atentado contra a vida.

O Anuário Brasileiro Saúde Pública (Junho2021) informa que no Brasil em 2020 foram 12.895 suicídios. No RS 1.386 casos correspondendo a 7,6% mais que em 2019 ficando entre os seis estados com mais registros.

Quem tem problemas em família e mesmo vizinhos precisa estar atento no uso de agrotóxicos. Primeiro comprar somente o que vai ser usado e depois da tríplice lavagem enviar as embalagens para a reciclagem adequada. Nada de estocar. E mais, o local de guardar deve ser fechado com corrente e cadeado, nada de facilitar as coisas. Deve ser de difícil acesso mesmo. Se acontecer tentativa de alguém de perto pior ainda. Caso aconteça precisa ir ao médico, ou hospital levar a embalagem junto e ou o receituário agronômico lá tem informações importantes de socorro.

De 2010 a 2019, 241 brasileiros morreram devido ao uso de herbicidas, os mais usados atualmente na região, pelo uso de Glifosato e Paraquate e este proibido no Brasil. Como entrou possivelmente contrabando ou estoques antigos. E 92% dos casos foram suicídio. Herbicida é veneno sim cuidado.

No Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) do Ministério da Agricultura que neste período aconteceram 45.779 atendimentos de intoxicação por agrotóxico. Sendo 29.467 intoxicações por contato e morreram 1.836. Quanto ao uso de atentado a vida foram 14.296 tentativas (31%) e 1589 infelizmente conseguiram seu intento. Os produtos maiores causadores, entre outros: Aldicarbe (banido), Glifosato, Paraquate (banido), Picloran, Carbofurano (banido).

Estes dados são parte do problema e os que ficaram visíveis com as informações prestadas. E os outros que ficaram escondidos? A situação é séria e não podemos nos encolher precisamos ajudar.

O RS tem o “CENTRO INFORMAÇÃO TOXICOLÓGICO”.
Telefone: 0800 721-3000;

E o CENTRO DE VALORIZAÇÃO da VIDA (CVV)
Telefone: 188.

Eles podem ajudar no encaminhamento de primeiros socorros. Anote os telefones.

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