Setor calçadista de Teutônia tem cerca de 750 demissões em meio à pandemia de coronavírus

Com o comércio fechado, as lojas estão devolvendo e cancelando pedidos. Exportações estão suspensas devido às fronteiras fechadas.


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Foto: Ilustrativa

Em meio à pandemia do coronavírus, o setor calçadista da região de Teutônia se aproxima das 750 demissões neste período. Conforme o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Calçadistas de Teutônia (Siticalte), Roberto Müller, a RR Shoes encerrou suas operações, ocasionando 400 dispensas. A Calçados Beira Rio deve liberar por volta de 150 funcionários nesta semana e na próxima, a Paquetá deve fechar as portas, com mais 130 desempregados. Em recuperação judicial, esta empresa já estava em situação delicada financeiramente. As indústrias de calçados também estão demitindo colaboradores em contratos de experiência para não gerarem mais custos, diz Müller.


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As maiores empresas, como a Piccadilly e a Beira Rio, deram férias coletivas. A primeira, de 30 dias, e a segunda, de 15. Porém, a Beira Rio deve estender a parada até o dia 13 de abril. Os atelieres, por sua vez, atuam com força mínima. “Não tem muito o que fazer, porque falta insumos e os componentes para o trabalho”, lembra o presidente do sindicato.

“O nosso setor, historicamente, passa por dificuldades. É o primeiro setor que sente os efeitos da economia e também o primeiro setor que se recupera e gera oportunidades”, explica o sindicalista. “O que estamos passando agora, desempregando as pessoas, é algo sem precedentes”, afirma.

O Siticalte representa 4,6 mil trabalhadores de Teutônia, Paverama, Poço das Antas e Westfália. “É um setor muito importante da economia de nossa região”, destaca Müller.

“Nós vínhamos de um crescente, com bastante produção e pedidos para colocar esses calçados nas lojas para a Páscoa e Dia das Mães. Com o comércio fechado e a circulação de pessoas muito restrita, as lojas estão devolvendo e cancelando pedidos”, explica. “Quem tinha alguma exportação, como as fronteiras estão fechadas, os contratos de exportação estão todos suspensos”, lembra Müller.

O sindicato se movimenta para que as demissões não sejam enquadradas em motivo de força maior, quando a empresa fica isenta de pagar parte dos direitos aos funcionários em função da pandemia. Dessa forma, os trabalhadores teriam a rescisão contratual completa.

Ao fazer uma análise da situação para o setor, o presidente do sindicato calçadista defende a liberação gradual da atividade econômica, dentro das normas de higiene e segurança. “Seria muito importante para amenizar um pouquinho, vender alguma coisa na época de Páscoa e logo em seguida, tentar colocar algo também no Dia das Mães.” Conforme Müller, são duas das datas mais importantes para a indústria.

Texto: Tiago Silva
web@independente.com.br

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