Setor calçadista vive retomada, mas não deve alcançar patamar pré-pandemia, analisa presidente de sindicato

"O que nós recuperarmos agora ainda está longe do que nós perdemos”, afirma Roberto Müller


0
Presidente do Siticalte, Roberto Müller (Foto: Tiago Silva)

O setor calçadista lidera a criação de vagas de empregos com carteira assinada na indústria do Vale do Taquari. Em setembro, o setor foi o que mais empregou, com mais de 2,2 mil novos postos. Conforme o presidente do Sindicato das Indústrias Calçadistas e do Vestuário de Teutônia e Região (Siticalte), Roberto Müller, o ramo é primeiro setor a sofrer o impacto da crise e também o primeiro que dá sinais de saída quando a crise passa. O melhor período para as vendas é o Natal, e as empresas ficaram com o estoque parado na pandemia. A esperança, agora, é desovar a mercadoria, com o retorno das festas e dos eventos.

Apesar dos dias melhores, o sindicalista diz que o ramo dificilmente voltará aos níveis pré-pandemia: ele decresceu quase 19%, e recuperou, até o momento, 12% neste ano, com a retomada das atividades. Müller cita que em fevereiro de 2019, na área de atuação do Siticalte, eram 3.731 pessoas empregadas. Em março deste ano, caiu para 2.508.

“Tudo o que nós melhorar e recuperar agora ainda está longe do que nós perdemos. E digo mais: infelizmente, o nosso setor nunca mais vai atingir o patamar que nós tínhamos, tanto em Teutônia como no Vale do Taquari”, afirma, ao citar o fechamento de grandes indústrias.

Em função desse cenário, o presidente do Siticalte aponta que os calçados perderam funcionários para outros setores da economia. Müller analisa que a tendência é que haja menos empresas grandes e maior grau de terceirização, por meio de Ateliês.

O mercado calçadista sofre grande influência de players externos, como a China. Na grande crise de 2007, por exemplo, empresários pressionaram e conseguiram levantar uma sobretaxa ao calçado chinês. Porém, Müller observa que há uma triangulação entre países asiáticos que faz com que entre igual no mercado brasileiro. “Se essa sobretaxa cair, podemos esquecer”, alerta, sobre a concorrência.

Atualmente, a maior parte do retorno para a indústria é para dentro do país. “A exportação ajuda, mas o mercado interno garante a sobrevida”, afirma o presidente do Siticalte.

Texto: Tiago Silva
web@independente.com.br

DEIXE UMA RESPOSTA

Digite seu comentário!
Por favor, coloque o seu nome aqui