Soldados do Sudão do Sul, acusados de um ataque contra trabalhadores humanitários estrangeiros serão julgados pelo crime quase um ano depois, e podem ser condenados à pena de morte.

De acordo com a Associated Press, 12 soldados acusados pelo estupro de trabalhadoras humanitárias e pelo assassinato de um jornalista local em julho de 2016, serão julgados a partir desta terça-feira (30) em um tribunal militar em Juba, capital do país que está em guerra desde 2013.

Os crimes foram cometidos em 11 de julho de 2016 no Terrain Hotel, durante os combates travados entre o exército leal ao presidente Salva Kiir e as forças rebeldes do ex-vice-presidente Riek Machar.

“Houve um assassinato, estupros, saques e destruição de propriedade”, declarou à France Presse o promotor militar, Abubaker Mohamed Ramadan. O julgamento deve durar algumas semanas, e a próxima sessão está marcada para o dia 6 de junho.

Segundo a Reuters, o julgamento vai ser um teste na capacidade do governo do país mais jovem do mundo, independente desde 2011, em deliberar sobre crimes de guerra. Os réus compareceram ao tribunal militar uniformizados. Quatro deles usavam uniformes correspondentes à “Divisão Tigre”, a guarda republicana encarregada da segurança do presidente.

De acordo com testemunhas dos crimes, após a invasão do hotel, as vítimas pediram socorro às Forças de Paz da ONU, cuja base ficava a um quilômetro do local, mas não obtiveram nenhuma ajuda. Cerca de 13 mil capacetes azuis estão em missão no Sudão do Sul.

Ao descrever o crime, Mike Woodward, então gerente do estabelecimento, disse que entre 50 e 100 homens invadiram o local e pilharam o hotel. Segundo a France Presse, 50 funcionários de organizações internacionais estavam hospedados no Terrain.

“Cinco mulheres que trabalhavam para organizações humanitárias foram estupradas. John Gatluak foi morto às 6h15”, contou, sobre o assassinato do jornalista. Todos que estavam no hotel foram obrigados a assistir aos crimes.

De acordo com promotores, os acusados podem ser condenados à pena mínima de 10 anos em cárcere e o pagamento de multa para a família da vítima ou à pena máxima, de morte. Os acusados de estupro podem ser condenados a 14 anos de prisão.

É comum, no entanto, que crimes de guerra fiquem impunes no país, segundo investigadores da ONU e grupos de direitos humanos.

Fonte: G1

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