Sonhar coletivamente é uma boa saída

No quadro Direto Ao Ponto desta quarta-feira, no programa "Troca de Ideias", a participação do diretor da Fundação Napoleon Hill e do MasterMind RS, Gustavo Bozetti.


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Foto: Rodrigo Gallas

Faz alguns anos que tive a oportunidade de conhecer o Renê Simões, treinador de futebol dos principais clubes brasileiros e diversos clubes mundo afora. Renê foi responsável por alguns feitos memoráveis no mundo do futebol. Talvez tenha sido um dos principais responsáveis por elevar o futebol feminino no Brasil, cuja seleção ele treinou por anos. Também conseguiu o feito de levar a seleção da Jamaica pela primeira vez para uma Copa do Mundo. Semanas atrás, fizemos uma LIVE juntos, com o objetivo de explorar essa bela experiência.


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Durante o seu relato, Renê comentou sobre as adversidades que havia enfrentado durante o período de preparação na Jamaica. Logo que chegou naquele país, que hoje possui uma população que corresponde a pouco mais de 25% da população do Rio Grande Sul, Renê comentou que foi assistir a uma partida de futebol. O campo e a torcida eram separados por uma corda, e quando um time atacava, a torcida empurrava a corda para conseguir ver a jogada, invadindo o campo. Comentou que os aposentos destinados aos jogadores da seleção eram precários e diferentes dos destinados a comissão técnica, o que ele, como líder, não admitia. Comentou sobre a dificuldade enfrentada para arrumar patrocínios, e sobre a jornada dupla da maioria dos atletas, que trabalhavam durante o dia e treinavam a noite. Inclusive havia um carregador de malas de um hotel que jogava na seleção.

Renê comentou também sobre todas as pequenas conquistas que foram construindo um clima de vitória naquele time. Criou o projeto “Adote um atleta”, possibilitando que as empresas locais pudessem bancar um jogador. Criou condições adequadas de trabalho, dando o mínimo de conforto necessário para o desenvolvimento de um bom trabalho. O envolvimento foi tamanho, que os objetivos foram gradualmente sendo alcançados, dia após dia, treino após treino.

É importante observarmos casos assim, para concluírmos que não se chega no alto da montanha num passo só. É preciso uma construção de anos para se chegar ao sucesso do dia para a noite. Esse aprendizado pode ser um divisor de águas em nossas vidas. Muitos de nós, ao primeiro sinal de dificuldade, jogamos os nossos projetos audaciosos para o lado, e nos conformamos com os resultados médios que estamos obtendo. Muitos de nós temos dificuldade de enxergar pouco além da ponta dos nossos próprios pés. E pior. Quando vemos alguém se destacando, somos tão imaturos emocionalmente que vamos lá e o criticamos. Falamos mal de alguém que está, apenas, tentando fazer o seu melhor.

Desacreditamos os sonhos das pessoas que os possuem, muitas vezes por causa da nossa própria incapacidade de sonhar. Renê Simões conseguiu sonhar e compartilhar seu sonho com a sua equipe, e esse sonho transcendeu para uma nação de 2,8 milhões de habitantes. Ele levou a sua seleção para a tão sonhada Copa do Mundo. Ele levou seus jogadores para se hospedar nos melhores hotéis e jogar contra os melhores jogadores do mundo. Tudo isso porque ele se permitiu sonhar e realizar coletivamente esse projeto. Torço muito para que você não fique na arquibancada da vida, apenas vaiando as jogadas dos que estão em campo tentando algo, mas que você ocupe o espaço que você fez por merecer. Forte abraço e até a vitória sempre.

Gustavo Bozetti, diretor da Fundação Napoleon Hill e do MasterMind RS

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