Sonho de criança que é realizado na vida adulta merece respeito

Todas as pessoas tiveram sonho infantis que hoje podem parecer inusitados


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Foto: Dirce Becker Delwing

Meu esposo apareceu em casa com um carrinho de picolé. De longe, dava para ver que sorria com os olhos. Um guri faceiro diante da aquisição. Eu poderia implicar com a ocupação da varanda, mas fico pensando que nenhuma outra compra teria o mesmo significado do que essa que representa a realização de um desejo infantil. E sonho de criança, realizado na vida adulta, merece respeito.


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Todas as pessoas tiveram sonho infantis que hoje podem parecer inusitados. Você certamente teve os seus. Outro dia, uma amiga me contou que pensava em ser gari porque imaginava que as pessoas que varriam as ruas achavam carteiras cheias de dinheiro. Rimos juntas. Meu esposo, por exemplo, queria ser sorveteiro. Ele passou boa parte da infância brincando na Praça da Matriz, em Lajeado.

A família tinha um trailer de cachorro-quente nas imediações e, sob o olhar dos pais, ele circulava pelos arredores onde podia ver os vendedores ambulantes que empurravam carrinhos de picolé. Naquele tempo, esse tipo de comércio era comum no centro da cidade e, muitas vezes, meninos muito jovens desempenhavam a tarefa. Aqueles guris transportavam muito mais do que alimentos gelados, eles alimentavam esperanças gastronômicas.

A rotina como professor, engenheiro e empresário não apagou da memória as fantasias infantis em que o futuro poderia caber num carrinho de picolé. E, por mais que os desejos da vida adulta figurassem na cena principal, ainda havia lugar para um projeto antigo. Foi o que concluímos quando ele apareceu em casa com aquele pequeno veículo de duas rodas, recheado de guloseimas. A chegada da neta deve ter reavivado a fantasia do passado em que gelar a boca tinha seu valor.

Por Dirce Becker Delwing, jornalista, psicóloga e psicanalista clínica

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