Suécia volta a ser exceção em uma Europa de máscara obrigatória

Autoridades de saúde do país consideram insuficiente a eficácia do produto, mas insistem no respeito ao distanciamento físico e na lavagem frequente das mãos.


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Pessoas sem máscara caminham em uma rua em Estocolmo, na Suécia, na segunda-feira (31), em meio à pandemia de coronavírus (Foto: Tom Little/AFP)

A Suécia, que chamou a atenção do mundo com sua estratégia menos rígida de combate ao coronavírus, está novamente isolada na luta contra a pandemia, pois no momento evita o uso obrigatório de máscara, algo que virou norma em outros países europeus.

Poucas pessoas usam máscara nos supermercados, ônibus e metrô de Estocolmo. As autoridades de saúde do país consideram insuficiente a eficácia do produto, mas insistem no respeito ao distanciamento físico e na lavagem frequente das mãos.

“Parece um pouco estranho. Na Suécia, que é um país pequeno, as pessoas pensam que sabem mais que no resto do mundo”, afirma Jenny Ohlsson, gerente de uma loja de acessórios na capital sueca que vende todo tipo de máscaras.

Ao contrário do restante da Europa, a Suécia não estabeleceu o confinamento da população e deixou cafés, bares, restaurantes e empresas abertos, com o pedido para que cada um “assuma suas responsabilidades”.

balanço é questionável: com mais de 5.800 mortes e 84.000 casos, a Suécia está entre os países mais afetados em números proporcionais a sua população.

Mas, ao contrário de muitos países europeus que sofrem uma segunda onda de contágios, como Espanha, França, Holanda, Alemanha ou Bélgica, os números na Suécia registram queda desde junho.

Confiar na ciência?

Diante da tendência, as autoridades de saúde não observam no momento nenhum motivo para mudar de estratégia, incluindo as máscaras.

O epidemiologista Anders Tegnell, principal nome da decisão sueca, considera que a eficácia ainda precisa ser confirmada. Mal utilizada ou mal manipulada, a máscara poderia contaminar a pessoa que a utiliza, adverte.

“Há pelo menos três estudos de peso da Organização Mundial da Saúde, do Centro Europeu para a Prevenção e Controle de Doenças e da revista The Lancet, que cita a OMS, que afirmam que as provas científicas são frágeis”, explica.

KK Cheng, epidemiologista do Instituto de Pesquisas em Saúde de Birmingham, denuncia uma lógica “irresponsável e obstinada”.

“Se aqueles que pensam como ele se equivocam, há um custo em vidas. Mas eu estou equivocado, que dano provoco?”, questiona o defensor do uso da máscara.

Anders Tegnell prefere insistir na queda dos números desde que as condições melhoraram nas casas de repouso, que registraram um grande número de mortes no início da pandemia, além do maior respeito às recomendações, como o teletrabalho.

“Tentar substituir estas medidas por máscaras não funcionará”, disse. “Muitos países que aplicaram as máscaras registram um forte aumento”, declarou em meados de agosto.

Fonte: G1

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