Taj Mahal reabre em meio à queda de casos de Covid na Índia

Número de novos infectados despencou de mais de 400 mil por dia no começo de maio, no ápice da 2ª onda, para 62 mil nas últimas 24 horas. Patamar atual é similar ao do final de março


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Grupo de turistas tira fotos no Taj Mahal, no dia da sua reabertura aos visitantes, após autoridades reduzirem restrições para combater a Covid-19 em Agra, na Índia, em 16 de junho de 2021 (Foto: Money Sharma/AFP)

Ponto turístico mais visitado da Índia, o Taj Mahal reabriu nesta quarta-feira (16) graças a um recuo no número de casos e mortes por Covid-19 no país e ao relaxamento das medidas de restrição.

O majestoso mausoléu de mármore branco em Agra, no estado de Uttar Pradesh, ficou fechado por dois meses em meio a uma devastadora segunda onda da pandemia no país.

A Índia é o segundo país com mais casos confirmados (29,6 milhões), atrás apenas dos Estados Unidos (33,4 milhões), e o terceiro em número de mortes (379 mil), depois de EUA (600 mil) e Brasil (490 mil).

“Estou feliz por poder ver isso, é incrível”, disse, maravilhada, a brasileira Melissa Dalla Rosa, que vive na Índia, à agência de notícias France Presse.

2ª onda na Índia

O número de casos diários de Covid-19 vem diminuindo há semanas no país, após recordes mundiais de infectados e de óbitos em abril e maio no pico da segunda onda.

Hospitais ficaram superlotados, pacientes morreram sem oxigênio ou esperando por leitos e cemitérios e crematórios não conseguiram atender à demanda de corpos.

O colapso sanitário foi causado por uma série de motivos. Entre eles, se destacam:

  • A variante delta, que é mais transmissível e diminui a eficácia das vacinas contra a Covid-19;
  • A recusa do governo do primeiro-ministro Narendra Modi em adotar medidas de restrição (e delegar a função aos governos estaduais e municipais);
  • O desrespeito da população a medidas de distanciamento social e a realização de comícios eleitorais e festivais religiosos com aval do governo.

A Índia bateu o recorde mundial de casos diários de Covid-19 em 6 de maio, com mais de 412 mil infectados, e o de mortes 13 dias depois, com mais de 4,5 mil óbitos em 24 horas.

Mas, apesar dos números astronômicos, há fortes indícios de subnotificação. Especialistas acreditam que os números reais — sobretudo de mortes — podem ser de cinco a dez vezes maiores.

Em meio ao caos, corpos foram encontrados boiando e às margens do Rio Ganges.

Além disso, o país segue com dificuldades para ampliar a vacinação.

Apesar de a Índia ser o maior produtor mundial de vacinas, apenas 15% da população recebeu a primeira dose e 3,44% estão completamente imunizados.

Otimismo com reabertura

Mas a segunda onda está refluindo, e o número de novos casos confirmados despencou de mais de 400 mil por dia no início de maio para menos de 100 mil atualmente, o que levou à flexibilização das restrições em todo o país.

Nas últimas 24 horas, a Índia registrou 62.224 novos infectados — patamar similar ao do final de março, há dois meses e meio — e 2.542 mortes — nível próximo ao do final de abril.

Todos os dados são compilados pela Universidade Johns Hopkins e pelo “Our World in Data”, projeto ligado à Universidade de Oxford.

Alguns guias turísticos e comerciantes se dizem otimistas com a reabertura do Taj Mahal, embora as autoridades tenham limitado o número de visitantes a 650 por dia. Em tempos normais, multidões se aglomeram no local.

“A segunda onda passou. Se a terceira vier, vai acabar comigo”, desabafou Lucky Feizan, um comerciante de 20 anos que trabalha no local. O turismo é o motor econômico de Agra.
O monumento funerário já havia sido fechado em março de 2020, quando foram registrados os primeiros casos de Covid-19 na Índia, e reabriu em setembro.

O Taj Mahal foi construído entre 1631 e 1648, pelo imperador Shah Jahan, da dinastia mogol, para lembrar de sua esposa favorita que havia morrido. O monumento é patrimônio mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Fonte: G1

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