Testa Lajeado conclui segunda etapa de coletas e analisa dados para início da última fase

A primeira parte do trabalho mostrou resultados de 3,1% de casos positivos dentre 1.450 participantes.


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Pesquisa é coordenada pelo professor Rafael Picon e pela professora e pesquisadora, Ioná Carreno (Foto: Gabriela Hautrive)

A segunda etapa de coletas da pesquisa Testa Lajeado se encerra nesta quarta-feira (17). Na parte da manhã, alunos e funcionários da Univates percorreram os bairros realizando a chamada de “Pesquisa de Contaminação por Covid-19 na População de Lajeado”. Esta segunda etapa teve início no sábado (13). A primeira fase, que ocorreu entre os dias 30 de maio e 4 de junho, já teve seus resultados preliminares divulgados, com 3,1% de casos positivos dentre 1.450 participantes.


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Ao todo, serão realizadas 3 etapas da pesquisa encomendada pela Prefeitura de Lajeado ao preço de R$ 141 mil. A terceira fase, conforme o médico e professor, Rafael Picon, depende dos resultados da segunda, por tanto ainda não tem data confirmada. “Talvez tenhamos que adequar o nosso cronograma com base nos resultados da segunda etapa que ainda não foram analisados”, explica. O objetivo da pesquisa é estimar a prevalência, ou seja, verificar a frequência e disseminação da Covid-19 entre a população lajeadense.

“O tamanho de amostra para essa segunda foi reduzido para 1.100 mil participantes sem prejuízo para continuação do trabalho e assim como na primeira etapa a população de Lajeado foi muito receptiva, os dados coletados são representativos da população adulta residente do município”, relata o médico. Agora é esperado o acréscimo de novas informações com a compilação de dados.

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Ao final, a pesquisa terá realizado a testagem de 3.600 pessoas, em endereços sorteados de forma aleatória na cidade, para verificar o percentual de moradores de Lajeado que já desenvolveram os anticorpos para a doença, Covid-19, causada pelo novo coronavírus. Como não há testes disponíveis para toda a população, é utilizado um método de amostragem, como explica Picon.

“Sorteio para testar somente essas pessoas selecionadas, de forma que a gente conseguida representar o todo, a partir apenas de uma parte, que é essa amostra, por isso que não podemos fazer um mutirão, que é sair testando todo mundo”. O trabalho é feito através de subdivisões dos bairros, sendo 120 em Lajeado, com 50 sorteados, o que representa mais de 40% do total até o momento. “Acaba contemplando quase todos os bairros de alguma maneira. Foram mais de 30 setores novos na segunda etapa, que não haviam sido sorteados na primeira”. Além do médico e professor Rafael Picon, a pesquisa também é coordenada pela professora e pesquisadora, Ioná Carreno.

Duplas que percorrem ruas fazendo as coletas descaram materiais usados na chegada (Foto: Gabriela Hautrive)

Como é feita a coleta

Todo o processo de coleta leva cerca de 30 minutos para ser finalizado, conforme informações obtidas pela reportagem do Grupo Independente em acompanhamento dos trabalhos. Envolve a chegada na casa, identificação da equipe, explicações e aplicação de questionário. Visitas são feitas por duplas formadas por estudantes de Medicina da Univates. Como se trata de teste rápido, o resultado é conhecido em até 15 minutos.

Caso a pessoa testada na família tenha resultado positivo para a doença, os demais adultos que moram na casa também serão examinados. Porém, nesse caso, com PCR. Este teste apura se o vírus está ativo no corpo da pessoa – não apenas se são anticorpos da doença, caso tenha contraído em outro momento e já esteja recuperada.

Resultados preliminares da primeira etapa

Na primeira etapa da pesquisa, 1.450 pessoas participaram do estudo. Desta amostra, 45 pessoas (3,1%) foram consideradas positivas para coronavírus porque o resultado do teste rápido indicou que tinham anticorpos para a doença. Esta prevalência era 14 vezes maior à encontrada na última rodada da pesquisa realizada pela UFPel, que está sendo realizada em 9 municípios do Estado e é uma das poucas pesquisas de prevalência realizadas no país.

Com a prevalência de 3,1% encontrada na pesquisa da Univates, a estimativa é que haveria 2 mil pessoas contaminadas na cidade. Como Lajeado tinha 1400 casos confirmados no término daquela etapa da pesquisa, Lajeado poderia ser considerada uma das cidades com a menor subdetecção (subnotificação) do Estado. Enquanto o estudo da UFPel estimava 9 casos não notificados para cada positivo na última etapa, Lajeado teria menos de um caso não notificado para cada positivo.

Como identificar os pesquisadores

Para dar segurança à comunidade, a Univates informa como identificar os pesquisadores participantes da pesquisa:

  • Os carros utilizados estão com adesivos da Univates ou contam com cartazes na parte frontal do carro identificando os veículos.
  • Os pesquisadores usam máscara, face shield (proteção acrílica transparente no rosto), touca, luvas e avental.
  • As duplas chegam carregando uma caixa térmica onde estão os materiais.
  • Os pesquisadores usam um crachá do “Testa Lajeado” e também têm consigo o crachá da Univates. Em caso de dúvidas, peça para mostrarem a credencial, que tem a foto da pessoa para ajudar na identificação.
  • Os pesquisadores pedirão a assinatura de um termo de consentimento para participar da pesquisa, sortearão uma pessoa para participar, farão a coleta de uma gota de sangue desta pessoa para fazer o teste, aplicarão um questionário sobre sintomas, comportamento, distanciamento social e outras perguntas, pedirão que a pessoa faça a medição da circunferência abdominal e informarão o resultado do teste. Todas as informações do participante são mantidas em sigilo.
  • Se ainda persistirem dúvidas, a pessoa pode ligar para a Univates para se certificar sobre a veracidade da pesquisa pelo fone 3714-7000 ramal 5870.
  • Se você desconfiar de algum golpe, acione a Brigada Militar pelo fone 190.

 

Texto: Gabriela Hautrive
producao@independente.com.br

 

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