Todas as pessoas possuem fragilidades psíquicas e precisam de ajuda em algum momento da vida

Confira o comentário da jornalista, psicóloga e psicanalista clínica Dirce Becker Delwing.


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Imagem: Pixabay

Li um texto do escritor gaúcho Fabrício Carpinejar onde ele diz que sua mãe sempre fora qualificada pela família e pelas pessoas do seu convívio como uma pessoa forte. Ele assim coloca: “Uma forma de dizer para que ela continuasse aguentando tudo. Criou os quatro filhos sozinha porque era forte. Trabalhou manhã, tarde e noite para sustentar a família porque era forte. Não podia chorar de cansaço e esgotamento porque era forte. Não podia rir e se desinteressar de suas obrigações porque era forte. Cuidou dos últimos dias de seus pais e comandou os enterros porque era forte. Jamais abriu espaço para uma nova história de amor porque era forte. Não se permitiu relaxar, viajar, ter os seus próprios prazeres porque era forte. Não tirou férias, não desistiu de nada, porque era forte”. Por fim, Carpinejar avisa que “ser forte é sinônimo de trabalho dobrado, de abuso, de saco de pancada. Desconfie do cumprimento”.


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Ao ler esse texto, lembrei-me que minha mãe costumava dizer algo semelhante a meu respeito. A Dirce é forte, ela vai resolver, ela não tem medo de nada, tudo pra ela sempre dá certo. Claro, ela fazia isso porque tinha admiração pelas conquistas que tive na vida, sentia segurança quando estava perto de mim, o que, sem dúvida, era bom de ouvir. Por outro lado, para dar conta desse reconhecimento materno, tantas vezes, não fui capaz de me queixar, não me senti autorizada a pedir colo, ou a reclamar de qualquer sofrimento. Sou grata à possibilidade que a vida me alcançou de seguir pelos caminhos da psicanálise. Compreendi que nem toda sentença precisa ser lida com as mesmas palavras que compuseram a escrita, por mais generosa que seja a intenção de quem fez o endereçamento.

Sem dúvida, diante de uma dificuldade, bom é quando você consegue se levantar sozinho. Mas, pode também ocorrer de você se sentir frágil, vulnerável, cansado e o atestado de que sempre consegue resolver tudo ser um impeditivo para que peça ajuda.

Talvez você finge que está tudo bem, mesmo quando vive com o coração em frangalhos, porque não quer incomodar, porque acredita que os outros não merecem ouvir as suas queixas. E, por pensar assim, age como se nada estivesse doendo dentro do seu peito. Mas, quero dizer a você que não é possível ser forte o tempo todo. Pedir ajuda, no fundo, é ser corajoso, é ser confiante e inteligente.

Por isso, se algo cutuca sua alma, se você sente desânimo, se você está atrapalhado e percebe que seu comportamento está lhe levando ao fundo do poço, procure ajuda. Fale com as pessoas do seu convívio, comente com a sua família, e não hesite em buscar ajuda de especialistas – psicólogos, psicanalistas, psiquiatras. Se você não tem condições de custear esse tipo de atendimento, procure o serviço de apoio psicossocial do seu município. Pedir ajuda nos dá uma nova oportunidade de encontrar a esperança. Lembre-se que você tem o direito de chorar, de se lamentar e de reconhecer quando precisa de reforço para seguir a caminhada.

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