Todas as regiões do RS seguem em bandeira preta pela oitava semana seguida

Apesar de ter melhora em relação à última sexta, região de Lajeado ficou com a quinta pior nota do estado; aulas presenciais seguem proibidas por conta de decisão judicial


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Foto: Governo do RS / Divulgação

Apesar de melhorias em alguns indicadores, o Rio Grande do Sul chega à 50ª semana do Modelo de Distanciamento Controlado sem muito a comemorar: as 21 regiões Covid permanecem em bandeira preta pela oitava semana consecutiva – nível de risco mais grave do Distanciamento Controlado.

O RS está todo preto desde a 43ª rodada (27 a 8), quando foi criada a salvaguarda estadual que garante a aplicação automática da bandeira mais grave a todas as regiões quando a capacidade hospitalar está próxima do limite. Desta forma, seguem proibidas as aulas presenciais por conta de decisão judicial que impede esta prática, enquanto a bandeira permanecer preta.

Como há risco de as equipes de saúde estarem sobrecarregadas e de haver atraso no preenchimento dos dados, o Gabinete de Crise determinou que quando a razão de leitos livres de UTI sobre leitos ocupados por Covid em UTI estiver menor ou igual a 0,35 a nível estadual, a salvaguarda será acionada, e se sobrepõe à média ponderada dos indicadores regionais.

No cálculo desta 50ª rodada, por exemplo, o RS estava com 333 leitos de UTI livres e 2.096 pacientes confirmados Covid-19 em UTI, alcançando um índice de 0,16 – ainda abaixo da régua da salvaguarda. Ainda assim, o número está melhor do que na rodada anterior, quando foi de 0,06.

Como a ocupação hospitalar ainda está próxima a 90%, o Estado segue com pressão sobre o sistema de saúde gaúcho – por isso, o Gabinete de Crise segue com cautela para atender a pedidos de mudanças nos protocolos do Distanciamento Controlado nesta semana.

Médias ponderadas

A pior média ponderada entre as 21 regiões é de Uruguaiana (2,09), Santa Maria, Bagé e Cachoeira do Sul vêm em segundo com 1,98; Lajeado, Santa Cruz do Sul e Pelotas vêm na sequência com 1,88. A região do Vale do Taquari teve melhora de 0,03 em relação a semana passada, quando teve nota 1,91. Sete regiões ficaram com a melhor nota (1,50): Caxias, Palmeiras das Missões, Porto Alegre, Guaíba, Novo Hamburgo, Taquara e Capão da Canoa. Com 1,49, no modelo antigo (sem a salvaguarda), significaria bandeira laranja. A propósito, nenhuma região teria nota de bandeira preta (2,50 ou mais) se for considerado o modelo inicial do Distanciamento Controlado.

Situação de Lajeado

Na versão preliminar do Distanciamento Controlado desta semana, a região de Lajeado obteve a mensuração final compatível à bandeira Preta.

Quanto aos seus quatro indicadores regionais, Lajeado obteve as seguintes bandeiras: no indicador de incidência (número de hospitalizações por Covid-19 para cada 100 mil habitantes) a bandeira foi Preta; no de projeção de óbitos a bandeira obtida foi Preta; quanto à velocidade de avanço (hospitalizações confirmadas nos últimos 7 dias / hospitalizações confirmadas nos 7 dias anteriores) a bandeira foi Amarela; e com relação ao estágio da evolução na região (ativos/recuperados) a bandeira foi Amarela.

O número de novos registros de hospitalizações por Covid-19, nos últimos 7 dias, comparado com a semana anterior, apresentou uma queda de 42.7%, passando de 110 para 63. Quanto ao número de óbitos, nos últimos 7 dias, comparado com a semana anterior, tivemos uma queda de 20.6%, passando de 34 para 27.

O número de internados em UTI por SRAG, comparado com a semana anterior, apresentou uma queda de 16.9%, passando de 65 para 54. No caso do número deinternados em leitos clínicos para Covid-19, entre as duas semanas verifica-se uma queda de 13.0%, passando de 54 para 47. Para o número de internados em UTI confirmadas para Covid-19, a situação foi de uma queda de 17.7%, passando de 62 para 51.

O número de casos ativos observados na penúltima semana, comparado à anterior, tivemos uma queda de 32.5%, passando de 1874 para 1265. Quanto aos casos recuperados nos 50 dias prévios à penúltima semana, comparado à anterior, tivemos um aumento de 7.2%, passando de 11762 para 12608. Com isso a razão entre as duas variáveis teve uma queda de 37.0%, passando de 0.16 para 0.10. Com relação ao número de leitos de UTI livres para atender Covid-19 no último dia, o quantitativo apresentou um aumento, passando de -24 para-3.

Destaca-se que a quantidade de novas hospitalizações em proporção da população é bastante elevada, refletindo na bandeira Preta para o indicador de incidência na região.

Risco altíssimo

Segundo a secretária da Saúde, Arita Bergmann, o cenário ainda é de risco altíssimo, como mostra o mapa todo preto do Distanciamento Controlado pela oitava semana consecutiva. “Se cada um não fizer a sua parte, o Estado ser cuidadoso ao liberar as atividades, os municípios serem rigorosos na fiscalização e os estabelecimentos e as próprias pessoas respeitarem os protocolos da sua cidade, além dos protocolos obrigatórios, como uso de máscara, evitar aglomeração e fazer a higienização constante, mais tempo ficaremos sob as restrições de distanciamento”, apontou Arita.

Segundo a secretária, para que o Estado possa seguir gradualmente liberando as atividades, é fundamental que as prefeituras atualizem e atendam aos critérios exigidos pelo Estado nos planos de fiscalização municipais. Até agora, o governo já recebeu 431 planos, mas muitos deles não atenderam na íntegra os requisitos e estão sendo devolvidos para que seja feita a complementação.

“É de suma importância que as prefeituras ampliem suas equipes de agentes de fiscalização e aperfeiçoem esse trabalho, principalmente porque há uma redução da velocidade de queda nas internações no Estado. Para que a gente não tenha de voltar a adotar medidas mais restritivas, como suspender a cogestão e fechar atividades, é fundamental que os municípios façam esse trabalho, para o qual o governo é parceiro tanto com apoio técnico e operacional, como com recursos para contratação de profissionais”, acrescentou Arita.

Ritmo de queda nas internações perde velocidade

Nesta 50ª rodada, houve nova redução nos números de pacientes confirmados com Covid-19 em leitos clínicos (-11%) e em UTI (-10%), comparativamente à semana anterior. O número de registros de óbito também reduziu, caindo 14% no período.

No entanto, o Boletim de Hospitalizações RS, atualizado diariamente pelo Comitê de Dados, nesta sexta-feira (16), mostra que há uma desaceleração na queda de internações no Estado em leitos clínicos. A variação de pacientes confirmados com Covid na semana retrasada foi de -21,4%, na semana anterior de -,18,3% e, nesta semana, de -10,8%. Enquanto que no dia 5 de fevereiro havia 1.329 pacientes suspeitos ou confirmados com Covid-19 em leitos clínicos, nesta sexta (16), são 3.106 internados, ou seja, 2,3 vezes a mais que no início do ciclo.

Ainda conforme o Comitê, o total de pacientes confirmados e suspeitos em UTI chegou ao pico de internados no dia 21 (2.771), mantendo-se com relativa estabilidade até o dia 27 de março, quando iniciou-se um processo de redução. Nesta sexta (16), a taxa de ocupação de leitos UTI em geral estava em 88,5%, sendo 2.168 pacientes confirmados ou suspeitos para Covid-19 e 824 pacientes não Covid.

Somando o total de pacientes confirmados e suspeitos em leitos clínicos e UTI, o RS ainda está com quase duas vezes mais internados do que nos picos anteriores. “Nos últimos dias, houve uma desaceleração do ritmo de queda no número de internados em leitos clínicos. Mantém-se alerta, pois qualquer reversão do processo de queda passará antes por uma desaceleração, e, dada a continuidade da alta pressão sobre o sistema hospitalar, ainda não há espaço para nova elevação a partir do patamar atual”, aponta balanço do Comitê de Dados.

Mapa da 50ª rodada

O mapa divulgado nesta sexta (16) já é definitivo, com validade até 26 de abril, ou seja, não há possibilidade de envio de pedidos de reconsideração à classificação, devido à gravidade do cenário.

Também segue suspensa a Regra 0-0, a partir da qual municípios sem registro de óbito ou hospitalização de moradores nos últimos 14 dias poderiam adotar protocolos de bandeira imediatamente inferior.

A cogestão regional, por sua vez, está permitida. Atualmente, todas as 21 regiões aderiram à gestão compartilhada e podem utilizar protocolos próprios até o limite de restrições da bandeira vermelha – não podendo ser mais flexíveis que isso. AI/RS

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