Todos os atos de bondade que praticamos trazem benefícios para a nossa vida

Confira o comentário da jornalista, psicóloga e psicanalista clínica Dirce Becker Delwing.


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Foto: Ilustrativa / Divulgação / Shutterstock

Eu estava na sexta série quando a professora solicitou que escrevêssemos, em um pequeno bilhete, um mico que desejávamos que um colega pagasse. Poderia ser qualquer coisa, desde que fosse possível de ser realizado dentro da sala de aula. Também não deveria estar assinado porque o anonimato fazia parte da brincadeira. A provocação da professora atiçou a imaginação da gurizada. Meninas e meninos olhavam ao redor de si e pensavam em tarefas que deviam ser cumpridas por algum colega. Sem dúvida, ganhariam pontos se sugerissem algo bem criativo, se bolassem uma espécie de castigo que colocaria o outro numa situação constrangedora perante a turma.


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Assim que todos preencheram o seu papel, a professora recolheu os bilhetes e colocou, um por um, em cima da mesa. Ficamos esperando pelo sorteio para ver quem faria o quê, sentindo certo receio porque também poderíamos passar por uma situação desconfortável. Para a nossa surpresa, a professora orientou que cada um deveria cumprir aquilo que havia escrito no bilhete. Depois de concluída a atividade, provocou a turma a pensar sobre os efeitos dos nossos atos. Muitas vezes, cavamos a nossa própria sepultura, disse ela, querendo ensinar que todo o bem que praticamos será revertido em graças para a nossa vida. Da mesma forma, o mal que fazemos ao próximo pode se voltar contra nós.

Nesse sentido, ontem à tarde, vivi uma situação onde senti grandiosa bondade humana. Por volta das 16h30, me envolvi num acidente de trânsito, na Rua Miguel Tostes, no Bairro São Cristóvão, em Lajeado. Batida feia. Meu carro teve de ser guinchado. Graças a Deus, ninguém se machucou. Um susto e tanto. Mas, a situação também mostrou o valor do cuidado com o próximo, a importância de se importar com aquele que precisa de socorro. Logo após a batida, pessoas próximas ao local começaram a ajudar. Nesse meio tempo, encontrei um colega de aula dos meus tempos de criança, quando eu morava em Rui Barbosa, Canudos do Vale, o Roque Sbardelotto, filho da Dona Lurdes Sbardelotto, que eu não via há 40 anos, no mínimo. Também esteve ali o Senhor Vanderlei Stertz, o senhor Luiz Lazaron e seu filho Bako, além de tantas outras pessoas que não consigo nomear. Muito solidários a mim e ao outro motorista para que tudo fosse resolvido com tranquilidade. Numa hora dessas, como é bom sentir que existem pessoas boas, prestativas. Quero deixar aqui meu registro de gratidão.

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