Todos os dias nos esforçamos para ter ou evitar conversas difíceis

Afinal, quem já não se viu mentalmente ensaiando um diálogo difícil?


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Foto: Dirce Becker Delwing

Domingo de manhã. Estava me arrumando para ir à Festa de São João, no Parque Ney Santos Arruda, em Lajeado. Quando coloquei meu pé sobre a borda da banheira para vestir a meia, vi que o calcanhar estava preto, com mancha de tinta, Devia estar assim pelo fato de eu usar tênis sem meia. Minha pedicure sempre reclama da minha falta de cuidado. Mas, não consigo usar meia em calçado nenhum, mesmo no mais frio dos invernos.

Interessante foi o primeiro pensamento que tive e é disso que quero falar.

— Meus Deus! Não devo sair assim. Já pensou se passo mal, se me acontece algo e preciso ir para o HBB. Se tiverem que chamar o SAMU e eu com esses pés encardidos. Que vergonha pra mim. Meus colegas irão contar pelos corredores da rádio que ficaram surpresos com o meu desleixo. Pensei mais uma infinidade de constrangimentos até que me dei conta de que, todos os dias, a gente sai de casa com uma série de coisas pendentes e que não gostaria de tornar públicas. Uma gaveta desarrumada, uma situação mal resolvida, uma conta não paga, um estranhamento que deixou mágoas, um projeto inacabado.

Nesse sentido, fiquei pensando nas conversas que a gente deixa para trás por falta de coragem ou por não se sentir preparado emocionalmente. Conversas que deveria ter para clarear conflitos, mas que fica adiando. Aquele papo reto com um irmão, com nossos pais, com um vizinho, com um colega de trabalho, ou com o chefe.

Outro dia, encontrei um livro muito interessante intitulado “Conversas difíceis – Como discutir o que é mais importante”. São três autores: Bruce Patton, Douglas Stone e Sheila Heen. Eles são professores de Harward, nos Estados Unidos. A obra é resultado de mais de 15 anos de pesquisas e está traduzida em 25 idiomas. Afinal, quem já não se viu mentalmente ensaiando um diálogo difícil? Quem já não se sentiu aliviado depois de colocar os “pingos nos is” de forma honesta e tranquila?

“Optar por não transmitir uma mensagem difícil é como ficar segurando a granada depois de puxar o pino”. (pg.20)

Texto por Dirce Becker Delwing, jornalista, psicóloga e psicanalista clínica

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