“Trabalhador fora da indústria tem mais risco de contaminação do que dentro”, diz assessor do Stial

"A gente teme contaminação em massa se esses trabalhadores ficarem afastados da empresa", afirma advogado.


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Foto: Divulgação

O assessor jurídico do sindicato dos trabalhadores da alimentação (Stial), José Paulo Silveira, diz que a entidade recebeu com “bastante preocupação” o pedido de interdição da BRF e Minuano, feito pelo Ministério Público nesta segunda-feira (4), em função dos casos de coronavírus nas duas empresas. “Nós, trabalhadores, estamos preocupados e entendemos que não é o caso de pedir a suspensão das atividades dos dois frigoríficos.”


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“A nossa preocupação é no sentido de o que vamos fazer com esses empregados nesses 14 ou 15 dias de suspensão? Houve alguma preocupação com o salário dessas pessoas? Elas vão receber os salários?”, questiona Silveira. “É uma preocupação que me parece não constar na ação do Ministério Público.”

Para ele, os trabalhadores estão mais seguros dentro dos frigoríficos do que fora deles, onde poderiam ser mais facilmente contagiados pelo novo coronavírus. “Ao nosso ver, o trabalhador, fora da indústria, ele tem mais risco de contaminação do que trabalhando lá na indústria”, diz. “A gente não teme demissões em masa, mas a gente teme contaminação em massa se esses trabalhadores ficarem afastados da empresa. Eles lá estão bem guardados, há vários esquemas de segurança. E fora é provável que estejam mais suscetíveis a serem contaminados”, observa Silveira.

O assessor jurídico destaca que a BRF e a Minuano estão cumprindo com suas obrigações em termos de segurança sanitária. “Todas as medidas que foram acertadas nos termos de ajustamento de conduta tanto com a minuano como na BRF, através do Ministério Público do Trabalho (MPT), estão sendo cumpridas. A gente tem quase certeza que as pessoas não vão se contaminar trabalhando. Ali o risco é praticamente zero. A questão toda: essas pessoas, 4 mil trabalhadores, elas vão estar com o contrato suspenso. Elas vão estar em casa, em quarentena, ou vão estar por aí se contaminando e, no futuro, vão ir contaminados para dentro de uma indústria”, ressalta.

Texto: Tiago Silva
web@independente.com.br

1 comentário

  1. Concordo. O MP não se preocupa com nossos empregos, não entende que envolve mais de 4mil funcionários, fornecedores, transportes…e mais,duvido que a maioria fique em.casa. As pessoas n tem consciência e vão passear nos parques e nas ruas. Idosos aos montes caminhando pelo centro. O problema são as pessoas de maneira geral.

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