Trabalhar “juntos” é diferente de trabalhar no mesmo lugar 

Jamais duvide que um grupo pequeno de pessoas seja capaz de mudar o mundo, afinal, foi assim que o mundo foi mudado.


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Gustavo Bozetti, diretor da Fundação Napoleon Hill e MasterMind RS

No dia 5 de agosto de 2010, em uma mina de extração de cobre e ouro chamada San José, localizada no deserto do Atacama, no Chile, às 14h, ocorreu um colapso em uma rocha gigantesca, deixando 33 operários presos em um dos refúgios daquela mina. Durante os primeiros 17 dias, os operários, com idades entre 18 e 65 anos, ficaram sem qualquer tipo de contato com o mundo externo, sendo forçados a superar as situações mais adversas que um ser humano pode enfrentar na vida e que, provavelmente, muitos de nós jamais enfrentaremos.

Foram dias de angústia, fome, sede, pânico. Os operários não possuíam mantimentos suficiente no refúgio, tendo que racionar os alimentos, chagando ao ponto de comer uma colher de sopa de atum por pessoa a cada 72 horas. Isso mesmo, passavam 3 dias com apenas uma colherada de sardinha. O mundo focou seus olhares para a Mina San José quando uma sonda que havia chegado até a caverna trouxe um bilhete contento o dizer “estamos bien en el refugio los 33” (estamos bem no refúgio, os 33). Naquele momento, uma complexa e dramática operação foi montada para salvar aqueles homens.

No dia 12 de outubro, 70 dias depois, uma cápsula chamada Fênix 2, enviada pela Nasa, resgatou 38 homens daquela caverna. Foram 38 porque 5 homens desceram os mais de 700 metros de profundidade, em meio a poeira, rochas, para prestar os primeiros socorros aos operários que lá estavam. A operação bem sucedida foi concluída às 0h33 do dia 14 de outubro daquele ano, fechando um ciclo dramático que entrou para a história e pode servir de inspiração para nós por uma série de motivos.

Em 2014, por exemplo, um vídeo produzido por uma empresa chilena foi utilizado para motivar os jogadores que vieram jogar a Copa do Mundo aqui no Brasil. A Seleção Chilena havia caído no “Grupo da Morte”, junto com as favoritas seleções da Espanha e da Holanda, além da Austrália. O Chile se classificou naquele grupo, deixando a Espanha pelo caminho. Foram eliminados pelo Brasil, nos pênaltis, após empatar em 1 a 1 nas oitavas de final. Certamente a história dos operários chilenos serviu como motivação e inspiração para que aquele time fizesse tamanha proeza. E também pode servir para nós.

Durante aqueles 70 dias, as pessoas que enfrentaram aquela situação foram forçadas a se unir em torno de um mesmo objetivo, que era sobreviver. Esse fator fez com eles se organizassem, inovassem, suportassem as adversidades e fizessem o seu melhor, tanto como indivíduos quanto como equipe. Certamente a liderança trocou de mãos por diversas vezes. A saudade, a vontade de abraçar os entes queridos, com certeza, motivaram aqueles homens a encarar aquela longa jornada de mais de dois meses. Ou havia união entre eles, ou correriam o risco de todos morrerem.

Enquanto isso, muitos empresários vivem em uma “caverna cinzenta” semelhante, porém, aqui fora. Estão cercados de pessoas que chamam de “equipe”, mas que não são capazes de se unir para alcançar um objetivo em comum. Muitas pessoas que pensam exclusivamente em si e que não estão “nem aí” para os colegas. Pessoas que se preocupam, apenas, com os seus salários, sem se preocupar com a instituição que os paga. Pessoas comendo uma lata de atum, ou de sabe-se lá o que, sozinhas, sem se preocupar se haverá alimento para as pessoas que estão ao seu lado.

Há muitas famílias que não se unem em torno de objetivos comuns e ficam dividindo esforços, sem conseguir chegar a lugar nenhum. Há pessoas que não suportam nenhum tipo de adversidade pois ganharam tudo de mão beijada ao longo dos anos. Não compreendem que as coisas podem ter mudado, em especial nesse momento de pandemia.

O interessante é que, em sentido contrário, há homens e mulheres que conseguem promover união. Líderes que conseguem mais, com menos. Empresários capazes de se fortalecer em situações adversas como essa que estamos passando. Famílias que se unem para superar adversidades e momentos difíceis. E é possível sim, desde que estejamos preparados. É possível crescer na adversidade. É possível unir pessoas em torno de um mesmo objetivo e fazer com que elas estejam dispostas ao mesmo sacrifício, construindo, assim, o poderoso MasterMind. Repito: é possível sim.

Precisamos formar líderes capazes de promover resultados extraordinários. Líderes não nascem prontos. Eles se formam ao longo do tempo. Com as técnicas certas e a formação adequada, os líderes conseguem resultados fabulosos. É nisso que acredito. Trabalhamos todos os dias para que possamos construir um país melhor. Porém, precisamos de pessoas melhores para que esse objetivo se concretize. E para finalizar, busco inspiração na Filosofia Estóica, que também inspirou John Kennedy, ex-presidente norte-americano: “não pergunte o que o seu país pode fazer por você, mas sim, o que você pode fazer pelo seu país”. Forte abraço e até a vitória, sempre.

Gustavo Bozetti (@gustavobozetti), diretor da Fundação Napoleon Hill e MasterMind RS

 

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